Diário de Gravidez: 4º e 5º meses

Passamos do 1º trimestre, chegamos ao momento de ajustes. O corpo se restabelece, consegue lidar melhor com a descarga de hormônios e alguns sintomas desagradáveis somem, outros não. Também foi o período em que descobrimos o sexo do bebê! Confiram tudo no vídeo abaixo (esse é curtinho, aleluia! rs).

Beijão!

Mari

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Amamentação na Gravidez

Continuo amamentando Gabriel, tenho notado um grande choque das pessoas quando menciono este fato. O senso comum, infelizmente, pensa que manter a amamentação durante a gravidez pode ser, de alguma forma, prejudicial pro feto ou pro bebê mais velho. Aí ressurge a velha crença de que o bebê já não precisa mais, afinal ele já pode comer e tomar outros leites. Ressurgem os mitos de que o leite já não “presta” mais, afinal, passou de 6 meses o leite materno vira água! Tudo mito e preconceito!!

Cansamos de ver indicações de desmame, inclusive de profissionais da saúde, com a desculpa de que a amamentação causa parto prematuro. Nos grupos maternos, vemos alertas de que a mera manipulação do mamilo poderia antecipar o parto! É o mito mais comum, justamente porque reforçado pela assistência durante o prenatal. Na maioria das vezes, no entanto, existe a proibição de amamentar, mas o sexo e a atividade física fica liberada. Faz sentido isso? Nenhum! Amamentar libera tanta ocitocina quanto outras atividades prazeirosas, mas nosso corpo trabalha pra manter a gravidez em curso, durante a gestação o útero quase não tem receptores de ocitocina e ainda conta com a ação da progesterona para que o hormônio não tenha contato com estes receptores.

Amamentar grávida pode ser bastante desafiador. Existem a possibilidade grande de sentir perturbação, que é uma sensação física muito desagradável, durante o ato de amamentar. Os mamilos ficam mais sensíveis. E existe, ainda, o risco de mudar o sabor do leite, e de a produção de leite diminuir bastante, chegando até a secar completamente em alguns casos. Pro bebê mais velho, sentir estas mudanças pode gerar uma grande ansiedade e uma instabilidade emocional enorme.

É preciso estar preparada para acolher este bebê, pois as mudanças serão inevitáveis! Por isso mesmo, a amamentação pode ser uma grande aliada para manter a estabilidade do bebê mais velho. Com a queda na produção, muitas mães acham que o peito não é mais necessário, mas isso pode não ser verdade, pois o peito é muito mais que alimento, é conforto e segurança, fazer um desmame (muitas vezes abrupto) nesta período pode ser um tiro no pé, pode aumentar ainda mais a instabilidade emocional do bebê mais velho.

Às vezes o bebê continua mamando no peito seco. Às vezes ele desmama naturalmente nesta fase. Às vezes ele quer voltar a mamar quando o leite retorna. Às vezes não… É importante estar atenta aos sinais que seu filho te dá. Nesta fase difícil, fisicamente e emocionalmente falando, não vejo problemas que fazer ajustes na amamentação. Colocar alguns limites, fazer combinados, ir ajustando a demanda gradualmente, até para preparar o mais velho para o fim da disponibilidade total, que acontecerá com a chegada do irmão. Tente acolher os anseios de ambos que surgirão, tenha em mente que, eventualmente, as coisas se ajustarão, não precisa ficar com medo.

Leia mais nos links abaixo:

Beijão!

Mari

Diário de Gravidez: 1º trimestre

Sim, estamos grávidos! Este vídeo já subiu no Youtube há um tempo, mas só agora lembrei de postar aqui, rs.

Nosso maior desafio nesta gravidez, sem dúvida, será preparar Gabriel para lidar com a chegada de um irmão mais novo e a perda da exclusividade dos cuidados. Com certeza não será fácil! Mas acho que no final as coisas se acertam. Oremos.

Beijão!

Mari

Amamentação: chegamos aos 2 anos! (com relato em vídeo)

Dois anos. Chegamos!

Dois anos é o tempo mínimo de amamentação recomendado pelos principais órgãos de saúde e pediatria no mundo. E não é fácil chegar até aqui. Contamos com desinformação de todos os lados, com uma cultura que leva ao desmame a qualquer dificuldade e coloca em cheque a todo momento a capacidade das mães de nutrirem seus filhos.

É muito louco que meu corpo consiga produzir um alimento tão completo de forma tão natural e suficiente pra atender à demanda do meu filho. Muitas vezes me pego pensando nisso, fico maravilhada de conseguir esta proeza, tenho muito orgulho disso. Muito orgulho de mim. De nós, enquanto família, que dividimos nossas responsabilidades de modo que não fique insuportável pra nenhum de nós. De todos os grupos de apoio que faço parte, em especial do GVA, onde tenho o prazer de ajudar voluntariamente tantas mães a alcançarem esta vitória. Sim, arrasamos, queridas. Somos foda e falo isso sem nenhuma reserva, porque uma mãe que amamenta e vence a cultura do desmame merece ser apoiada, celebrada e divulgada!

Atribuo esta vitória a tanto fatores que talvez esqueça de citar algum:

  • Informação e apoio – antes e durante o puerpério, além de durante todo o período de amamentação, pra vencer os mitos que nos querem enfiar guela abaixo TO-DOS-OS-DI-AS e pra superar todas as dificuldades, que aparecem a todo momento;
  • Convicção e confiança (escolha informada e consciente) – sim, é preciso ter convicção, e muita, pra não sucumbir aos mitos e desinformações que muitas vezes pegam forte na nossa fragilidade;
  • Acompanhamento com profissionais amigos da amamentação – não sabemos de tudo, por isso muitas vezes sucumbimos ao discurso de autoridade, sobretudo dos profissionais médicos. Profissional amigo da amamentação é aquele que a apoia, sem necessariamente militar a favor. E ser amigo da amamentação deve ser atributo de muitos profissionais além do pediatra, este deveria ter OBRIGAÇÃO de ser amigo da amamentação, o que nem sempre acontece. Mas vou dar um exemplo… Nesta minha jornada, sofri um acidente e precisei de uma cirurgia ortopédica. Em nenhum momento fui imbuída a desmamar, já que há medicamentos, inclusive anestésicos, compatíveis com a amamentação. Mas ouço muitos relatos de mulheres proibidas de tomar simples analgésicos! Parece que não, mas encarar a amamentação com naturalidade e buscar tratamentos compatíveis, ao invés de mandar desmamar, é um grande apoio. Pra completar, além dos amigos e dos neutros (que simplesmente não entendem a respeito), tem também os INIMIGOS da amamentação. São inimigos da amamentação, por exemplo, o dentista que manda desmamar porque “LM dá cárie”, o GO que manda grávida de risco habitual desmamar, o psicólogo que manda desmamar pra a criança “não ficar muito apegada”…
  • Não usar bicos artificiais – sim, eu sei que tem bebês que mamam durante ANOS usando também bicos artificiais. Mas a realidade é que estes bebês são exceções, a grande maioria acaba desmamando precocemente (antes dos dois anos), independente de quando começaram a usar bicos. Além disso, muitos deles têm problemas no ganho de peso, o que se torna um ciclo vicioso de complementação e falta de estímulo do peito. Aqui Gabriel não chegou a usar nenhum tipo de bico, mas tenho a impressão que ele cairia na estatística do desmame, porque nos períodos em que usava copo de bico rígido (sem válvula) e canudo, que são meios um pouco menos perigosos que a mamadeira, a pega logo ficava ruim, ele começava a fazer movimento de sucção no meu peito e começava a morder durante as mamadas com muito mais frequência. Não, não era coincidência. Fiz o teste em diversos momentos. Hoje utilizamos copo de bico rígido muito excepcionalmente, pra não dizer nunca, e o canudo também somente em situações especiais.
  • Apoio materno (e/ou terapêutico) mútuo  – nesta jornada foi importante ter com quem dividir os pensamentos, desabafar sem medo de ouvir lição de moral ou de que as adversidades se devem à sua escolha pessoal. Desabafar sem precisar defender nossas escolhas, receber conselhos genuínos ou somente conforto. A verdade é que passamos por muitas adversidades neste processo e isso não é, necessariamente, “culpa” das nossas escolhas, todas as escolhas carregam em si ônus e bônus, em alguns momentos tudo o que a gente quer é receber palavras de conforto e acolhimento, mas só o tempo vai mostrar com quem realmente contar pra dividir estas questões. Algumas vezes somente um terapeuta vai ser capaz de nos ouvir e ajudar com isenção. Se este é o caminho, aceita-lo é importante.

Obrigada por todo mundo que de alguma forma nos apoiou nestes dois anos. Sigamos sem pressa que esse bebê tá crescendo rápido demais. Desacelera, tempo!! :)

Beijo!

Mari

Vídeo: Relato sobre a Introdução da Alimentação Complementar

Quando eu estava pra fazer a introdução de novos alimentos pra Gabriel, eu vi este vídeo, que me abriu a mente a respeito do significado da introdução de novos alimentos para o bebê. Porque, sim, o leite materno ou fórmula são os primeiros e continuam sendo os principais alimentos durante todo o primeiro ano. Após isso, naturalmente vai se tornando alimento complementar até que o desmame aconteça (naturalmente, nunca antes dos 2 anos). Isso varia muito de bebê pra bebê. Tem bebê que já começa comendo que nem gente grande, mas tem bebê que só engrena mais pra frente na aceitação de novos alimentos. E tudo bem! O nosso papel é oferecer uma alimentação variada e equilibrada, rica em alimentos frescos, naturais e com texturas e sabores diferentes. Comer é natural, não precisa forçar algo que a natureza já programou que ele faça…

Gravei este vídeo como uma conversa inicial sobre o assunto mesmo. Mais pra frente vou tentar gravar outro mais sistemático (ou escrever um texto mesmo), com dicas práticas pra este momento. Agora eu quero dividir a minha experiência. Espero que ajude! :)

Beijinhos!