7 meses de Biel, introdução alimentar, BLW

Passaram os primeiros 6 meses de amamentação exclusiva de Gabriel (\o/), iniciamos a introdução alimentar. Iniciamos a introdução alimentar pelo método BLW, embora algumas vezes eu recorra à tradicional papinha…

Gabriel sentado no cadeirão comendo goiaba cortada em tiras

Gabriel sentado no cadeirão comendo goiaba cortada em tiras

Longe de mim querer ensinar o método, mas, apenas para situar quem nunca ouviu falar dele, explico. BLW, Baby-Led Weaning, significa Desmame Guiado pelo Bebê. Quem vê de fora pensa que se trata de oferecer comida aos pedaços, mas é muito mais que isso. Significa respeitar o tempo do bebê e deixar que ele próprio conduza o desmame. Sim, quando começamos a oferecer qualquer coisa que não seja leite materno, inicia-se o desmame.

Bom, para fazer a introdução alimentar pelo método BLW, o bebê deve sentar-se sem apoio. Biel começou a sentar sem apoio uns 7 dias antes de completar 6 meses, a partir daí, passou a sentar-se conosco e acompanhar nossas refeições. Aguardei completar os 6 meses antes de oferecer qualquer coisa, pois sei que este marco é bem importante para que o bebê esteja preparado para receber outros alimentos, inclusive líquidos.

Com 6 meses e 5 dias, iniciamos a introdução alimentar, com frutinhas 1 ou 2x ao dia, 3 semanas depois introduzimos o almoço, que segue basicamente o mesmo cardápio da casa, com pequenas adaptações para que consiga comer sozinho (passei a cozinhar nossa comida sem sal). As duas primeiras semanas foram bem desanimadoras… Biel até comia, mas não tinha interesse em pegar os alimentos e levar à boca. Confesso que neste período eu fugi um pouco do método. No BLW, não devemos intervir, devemos deixar o bebê criar sozinho despertar a curiosidade e experimentar quando, o quanto e o que quiser. Mas minha impaciência fez com que eu colocasse alguns pedacinhos na boca dele, pra despertar o interesse, claro que sem forçar nada. Funcionou bem, na terceira semana, Biel já começou a comer super bem!

De lá pra cá, foram muitas evoluções. Relacionando pra quem está de fora, parece quase nada, mas ver que tudo isso ele não sabia fazer e foi aprendendo com muito esforço e dedicação é lindo!

Gabriel sentado no cadeirão comendo uma rodela de banana espetada no garfo

Gabriel sentado no cadeirão comendo uma rodela de banana espetada no garfo

Hoje, aos 7 meses e 10 dias, Gabriel já domina:
  • Pegar e levar à boca os alimentos em pedaços médios (do tamanho de uma rodela de banana, aproximadamente);
  • Passar os alimentos de uma mão à outra para que fiquem em melhor posição para levar à boca;
  • Segurar e tirar pedaços de alimentos cortados em tiras ou no formato de biscoitos ou bolinhos pequenos;
  • Mastigar e engolir pedaços pequenos e moles;
  • Retornar o alimento à ponta da língua, para mastigar melhor ou colocar pra fora;
E ainda não domina, mas já tenta:
  • Levar a colher à boca e derramar a comida (dentro da boca);
  • Levar à boca pedaços espetados no garfo;
  • Segurar o copo de treinamento (de bico rígido e sem válvula) para beber água sozinho (ainda não consegue levantar o fundo do copo).
Oferecer comida aos pedaços significa lidar com MUITA bagunça, por isso nem sempre é possível e às vezes recorro a uma papinha ou uma sopinha. Mas tudo bem, tudo ao seu tempo.
Neste meio tempo, percebi que muitas outras habilidades foram desenvolvidas, Biel já engatinha, levanta-se e anda apoiado e empurrando nos móveis, desce e sobe do colchão, sobe degraus em quatro apoios (não deixei descer ainda), consegue adormecer sozinho… Eu quero crer que a autonomia que estamos proporcionando ao oferecer os alimentos desta forma tenham lhe dado confiança pra arriscar mais, mas, claro, pode ser mera coincidência.
OBS: Legendas das fotos #pracegover
mari2

Sobre dormir no próprio quarto, cama compartilhada e os (quase) 4 meses de Gabriel

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Minha intenção inicial ao fazer este post era fazer um relato da maternidade mês a mês, mas quem é mãe sabe das dificuldades de se organizar nestes primeiros meses, mas acabei juntando assunto do segundo ao quarto mês, pra contar como sobrevivemos até aqui…

Quando busquei informações para conseguir ter o meu parto normal, uma das coisas mais importantes foram os grupos de apoio ao parto humanizado e, naturalmente, vi-me imersa nos princípios da criação com apego e fiquei super fã do Dr Carlos Gonzalez. Natural, afinal um dos princípios da criação com apego é a preparação para a chegada do bebê, o que, obviamente, envolve um parto o mais natural e respeitoso possível. Comecei a devorar textos sobre criação com apego e me deliciei no Bésame Mucho.

É importante dizer que uma das coisas que víamos com maus olhos era a cama compartilhada. Ainda assim, providenciei um bercinho tipo moisés, que ficava da altura certinha da nossa cama, ou seja, uma forma que eu pensava ser mais segura e menos radical deixar o bebê próximo e atende-lo no menor tempo possível. Ao ler sobre a teoria da exterogestação, compreendi que a necessidade do bebê de contato humano, sobretudo com a mãe, é uma necessidade real, muito importante para o seu desenvolvimento. Assim, estávamos decididos a dar todo o colo que Gabriel necessitasse, cientes de que isto era o melhor pra ele, indo de encontro a muitas pessoas que vinham nos dar o famoso pitaco “não dá colo, vai viciar”. Hoje, posso dizer que ter dado todo o colo que Gabriel precisou não só não o viciou como o tem tornado cada vez mais independente e calmo.

Gabriel nunca foi uma criança daquelas resignadas, que ficam bem no berço desde o primeiro dia de vida. Não, ele sempre precisou de muito colo e muito peito. Tanto colo e tanto peito que, no quarto dia em casa, eu tinha crises de choro, que aliavam cansaço ao medo do tal “vício em colo” e ao fato de Gabriel não dar um minuto de descanso. Ajuda neste momento foi fundamental. As avós materna e paterna revezaram-se aqui no primeiro mês e a presença delas foi essencial não só pra cuidar das coisas da casa, mas pra dar o colo que Gabriel precisava quando eu já não aguentava mais.

Bom, numa dessas minhas crises, minha irmã sugeriu que eu amamentasse deitada. Decidi então tentar fazer a cama compartilhada, com Gabriel dormindo na nossa cama mesmo, entre nós. Ah, por que não tentei isso antes? À noite, vivíamos acordados revezando entre amamentar, colocar pra arrotar, trocar, ninar, colocar no bercinho e imediatamente ver o bebê acordar e começar tudo de novo. De repente, com a cama compartilhada, não era preciso acender a luz, não era preciso levantar pra amamentar, nem colocar pra arrotar (desencanei, bebês amamentados nem sempre precisam arrotar, mas esta é uma outra discussão), muito menos pra colocar no bercinho. As trocas continuaram em média uma vez por noite, pois Gabriel nunca chiou com fralda suja e nem sempre víamos o cocô, já que Marido sequer acordava e eu dormia durante a mamada.

Que noites! Comecei a descansar novamente, a amamentação se estabeleceu lindamente, Gabriel passou a dormir bem e, sem chorar, pedia pra mamar mais ou menos a cada 2h30, depois 3h, 4h, 5h, por fim, chegava, em algumas noites, a dormir 6h seguidas! Eu já sofria ao lembrar que, aos três meses, havíamos combinado de colocar Gabriel no quartinho dele…

E o terceiro mês foi embora, deixando de brinde uma das piores crises de pico de crescimento e salto de desenvolvimento (juntos) que Gabriel já teve. Choro o tempo todo, peito o tempo todo, noites com mamadas a cada 1 ou 2h. Decidimos deixar passar esta fase. Ainda bem que durou somente 4 dias e aproveitamos o carnaval pra fazer a transição.

Vale lembrar que, por já saber que haveria esta transição, Gabriel já dormia entre nós, porém num travesseiro antirrefluxo, num ninho feito de toalhas. Também só me senti segura porque Gabriel já dormia sozinho muitas vezes: largava o peito, conversava qualquer coisa com o teto e dormia. Para iniciar os trabalhos, coloquei um colchão de solteiro ao lado do colchão dele (ele tem um quarto montessoriano), deitei do seu lado e fizemos a mesma rotina que vinha sendo feita nos últimos dias: massagem, banho de ofurô, peito e dormir. Uma das piores noites de toda a maternidade. Se dormi meia hora direto, foi muito. Nem eu nem ele dormimos direito, ele estranhou o quarto, estranhou o móbile, estranhou tudo.

Às 5h, chamei Marido pra trocar comigo e fui pra minha cama tentar dormir, mas tudo o que eu conseguia fazer era chorar. Arrependi-me amargamente por ter feito cama compartilhada, por não ter acostumado ele antes, me senti fraca por não ter aguentado o tranco no início, por ter buscado a forma mais fácil, mas “menos correta”, enfim. Ser mãe é se sentir culpada e ficar encucada com tudo o tempo todo. Isso eu já descobri.

Desabafei no whatsapp com uma amiga com quem divido esta fase com tanta cumplicidade que às vezes rio sozinha só de tê-la conhecido. Ane tem uma filhinha 1 semana mais nova que Gabriel e nos falamos o tempo todo, dividindo experiências, medos e dúvidas, enriquecendo-nos mutuamente de informação e amor. Seu apoio foi essencial pra que eu conseguisse relaxar neste primeiro dia. Fomos à praia pra relaxar a mente, almoçamos fora uma comidinha bem gostosa e dormimos à tarde, nos preparando pra mais uma longa noite.

Na segunda noite, Gabriel dormiu um pouco melhor. Demorava muito ainda pra dormir, mas já conseguia fazer 2h de sono e eu dormia umas horinhas de vez em quando. No mesmo horário da noite anterior, chamei Marido, ele ficou ninando Gabriel, mas desta vez consegui dormir e descansar um pouco. Na terceira noite, Gabriel já dormia mais rápido! Continuava acordando a cada 2 ou 3h, mas pelo menos adormecia muito mais fácil. Tirei o colchão de solteiro do quarto e decidi que na próxima noite dormiria na minha cama.

Na primeira noite que me dispus a dormir na minha cama, novamente quase não dormi. Gabriel solicitou bastante, mas também fiquei vidrada olhando o visor da babá eletrônica por muito tempo, com medo de não acordar caso ele chorasse. Nos primeiros 3 dias, Gabriel acordou a cada 1 ou 2h e demorou a dormir, foi muito, muito cansativo, pois quando eu conseguia adormecer, ele já chorava me chamando. Da quarta noite em diante, ele começou a regularizar o sono, voltou a dormir de 3 a 4h, mamando por 10 a 15 minutos nos intervalos e dormindo mais rápido, mas me incomodava o fato de ele acordar chorando, pois quando na nossa cama ele não precisava chorar pra nos chamar, e de não acordar com a animação habitual, passando o dia todo cansadinho e sonolento.

O fato de o quarto de Gabriel ser montesoriano ajudou muito nesta transição e ainda vai ajudar muito enquanto ele mamar no peito, pois continuei amamentando deitada e às vezes ainda caio no sono, mas na mamada seguinte já consigo ir pra minha cama. Sinto falta da cama compartilhada, ainda pretendo praticar esporadicamente, depois que ele estiver mais adaptado ao quartinho dele.

Apesar de ainda acreditar que a cama compartilhada seja tudo de bom, aprendi também que ela deve ser boa pra toda a família, não vale quando não está todo mundo 100% com vontade de fazer. Também li algo que me incentivou muito:

As necessidades dos filhos devem ser uma prioridade, e quanto mais jovem o bebê, mais intensas e urgentes são suas necessidades. Mesmo assim, ele é uma parte daquilo que envolve a família como um todo, incluindo as necessidades dos pais (como indivíduos e como casal) e dos irmãos

Por Thiago Queiroz. Leia mais em:  http://paizinhovirgula.com/criacao-com-apego-aquele-resumo-que-voce-sempre-quis/

Então, como casal, não estávamos 100% satisfeitos em praticar a cama compartilhada e é justo que Gabriel tenha pais afinados e confortáveis com o estilo de criação adotado, para demonstrar a segurança necessária para a prática do apego seguro. Hoje, penso que a cama compartilhada é uma ferramenta, e não pressuposto de uma criação com apego, mas acho que a prática ajuda, e muito, no estabelecimento da amamentação. Embora tenha passado pela minha cabeça o arrependimento, hoje penso que foi a melhor decisão que tomei pra tornar o puerpério um pouco mais leve e tranquilo.

Quanto às noites de sono, a partir da quinta noite, ele voltou a nos chamar com mais calma, somente “conversando”, balbuciando qualquer coisa, voltou a acordar somente de 2 a 3 vezes por noite, mamando rápido e dormindo sem dificuldade. De manhã, acorda passa uns bons minutos conversando com o móbile antes de nos chamar e voltou a me receber com um lindo sorriso matinal. Estou bem feliz!

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Boas próximas noites!

mari2

Um mês sendo mãe. O que descobri


– Não senti uma conexão imediata com meu filho, pelo menos não do jeito que eu imaginava. Tenho um instinto forte de proteger, cuidar, alimentar, mas acho que a relação mãe-filho, como qualquer outra, é uma construção, ainda estamos alicerçando essa relação, de maneira bem intensa, diga-se de passagem;

– É mais fácil do que parece. Sou dessas que tem medo de chegar perto de recém nascido, mas com Gabriel é diferente, parece que instintivamente (também), sei como pegar, como trocar, como dar banho, tenho uma vontade incontrolável de ficar limpando ele (lembrei da minha cachorrinha lambendo os filhotes), perdi o nojo de MUITAS coisas! O mais legal é que com o pai ocorreu o mesmo, fico impressionada a cada dia com a naturalidade com que estamos lidando com ele, mesmo com várias pessoas praticamente dizendo “não pega assim que quebra”, rss;

– É mais difícil do que parece. Tem horas que penso que estou fazendo tudo errado, de tanto que ouço palpite e comparações. Como fazem os bebês dormirem no berço e a noite toda? Ou como conseguem levantar pra amamentar a noite toda? Como passam pelos dias em que eles estão carentes sem dar colo o tempo todo? Como não os “viciam” em colo e carinho? * Pra mim eles já nascem com uma necessidade de colo e carinho, não entendo como um bebê que estava todo aconchegado dentro da barriga pode ficar viciado em colo só depois que nasce (e recebe colo);

– A puérpera chora. Muito mais que a gestante. Ô, muuuito mais;

– Demora um tempo pra a gente organizar a casa (e a mente). Organizar-se pra ter ajuda, pelo menos nos primeiros dias é essencial. Com ajuda, é possível até fazer coisas alheias à maternidade (provas, por exemplo);

– Escolhi o melhor pai pro meu filho. Ter não a ajuda, mas a participação de Marido torna todo este processo muito mais leve;

– Amamentar é uma delícia. Sim, é bem difícil no início, os mamilos doem, às vezes machucam… Neste ponto, acho que valeram todas os vídeos que vi, todos textos que li, todas as conversas que tive e todos os cursos que fiz durante a gestação. Sabendo o que pode ocorrer e o que pode ser feito, a gente lida melhor com as dificuldades;

– Na minha opinião, quatro coisas são essenciais pra conseguir amamentar, três dicas que recebi e tenho que repassar e uma final minha mesmo:

  1. Aprendam a pega correta e corrijam SEMPRE a boquinha do bebê se estiver errada. Só a pega incorreta dói. Hoje quando amamento fazendo outra coisa, já sei quando Gabriel pegou errado só de sentir;
  2. Usem pomada de lanolina no mamilo após cada mamada. E tirem o excesso com um paninho mesmo, antes de mamar, pois escorrega e prejudica a pega. Essa pomada foi essencial. Comecei a usar no primeiro dia, quando senti que meus mamilos tavam machucando, antes que rachassem, usei e eles nunca chegaram a machucar mais sério. Só usei por uns 10 dias ou menos, depois disso os mamilos já estavam calejados e não machucavam mais;
  3. Nos primeiros 10 dias, cubra os seios o mínimo possível. Leve esta a sério. Fique sem blusa e sem sutiã sempre que puder, se possível tome sol (mas eu nem tomei). Cobrir os seios machuca e não deixa as fissuras cicatrizarem, além de acabar tirando qualquer pomada que você coloca pra cicatrizar. Eu ficava nua da cintura pra cima o tempo todo, só me vestia quando tinha visita;
  4. Informe-se. Informe seu companheiro e quaisquer outras pessoas que estarão contigo no dia a dia, principalmente no início. Informe-se até ter absoluta certeza que: seu leite não é fraco, seu leite é suficiente pro seu filho, seu seio é tudo o que ele precisa sugar. Situações adversas na amamentação acontecem, mas antes de desistir ou complementar, procure ajuda especializada, vá num banco de leite, consulte o GVA no Facebook, veja vídeos na internet, leia livros, enfim. Somos de uma geração que cresceu tomando fórmula, geralmente não temos exemplos próximos de mães que amamentam, ao contrário disso, temos conselhos que nos mandam dar fórmula a cada dificuldade (ou “pra dormir melhor”);

– É preciso muita paciência e desprendimento. Tem dias tranquilos e outros em que seu bebê lhe exige 100% de dedicação. Dedique-se, ele é só uma criança que não sabe o que esperar do mundo, é você quem vai mostrar, com amor, que há razões para acreditar.

As dificuldades e os medos são muitos, mas o aprendizado também, esta é a melhor parte!

Cada fase traz muitas surpresas e desafios, vamos aos próximos!

mari2