O (pouco) caso da American Airlines

Muitos meses que não escrevo aqui. Nestes últimos tempos, muita coisa aconteceu e diversas vezes passei por aqui pra tentar contar, mas os posts acabam no rascunho, porque é tanta coisa na cabeça que acabo não chegando ao final sem me distrair. Desta vez, embora seja uma situação muito chata, acho que é meu dever relatar todo o caso de forma clara aqui, que é o canal de que disponho, já que deixei tantas pessoas preocupadas sem dar o devido esclarecimento quanto ao seu desfecho. Dito isto, vamos ao caso.

Estou grávida. Quem me segue no Instagram sabe, mas nunca dei esta notícia por aqui. Depois de um início de gravidez meio conturbado, cheio de emoções e dúvidas e desesperos típicos de uma mãe de primeira viagem já conhecidamente dramática, mesmo antes da onda avassaladora do hormônios, chegamos à conclusão que seria uma boa ideia viajar pra fazer o enxoval do bebê no exterior. Concluímos isto por dois motivos: mesmo com o dólar caro, vale a pena comprar muita coisa fora ainda e, afinal, seria uma boa ideia espairecer, viajar e curtir uns momentos em família antes da chegada do bebê (que sabidamente muda muito a vida dos novos papais). Fomos então, eu, marido e minha mãe.

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Tudo ocorreu muito bem durante a viagem, a volta, entretanto, mostrou-se um desfecho extremamente estressante para uma viagem que havia sido tão especial. Nosso voo de volta estava marcado para sair às 23:54 do dia 26/07/2015. Tratava-se do voo AA229, da American Airlines, com serviço direto Miami-Salvador. Chegamos ao aeroporto pouco antes das 21h, fizemos o check-in, despachamos as malas e seguimos para o portão de embarque, que ocorreu por volta das 23h, como esperado.

A aeronave seguiu para a pista normalmente e, ao acelerar para a decolagem, abortou o voo, deixando em desespero os pouco mais de 150 passageiros. Fomos informados que a decolagem havia sido abortada por um superaquecimento em uma das turbinas. Permanecemos na pista, cercados por caminhões de bombeiros e seguranças por pouco mais de 1 hora, quando finalmente seguimos para o desembarque. Deste ponto, teve início uma verdadeira odisseia para conseguirmos retornar.

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Neste mesmo dia, fomos informados que o defeito seria resolvido e que embarcaríamos com um pouco de atraso. Depois informaram que estava chegando uma nova aeronave e que voaríamos nela. Por volta das 3:30, vimos a agente da empresa destacando cartões que soubemos depois serem vouchers de alimentação e hotel, mas estes vouchers só foram fornecidos aos passageiros por volta das 4:30 da manhã. Durante todo este período, os passageiros permaneceram sem informações e com fome, pois não havia nenhum estabelecimento aberto no aeroporto, que não opera durante a madrugada.

Fomos encaminhados para o hotel e orientados a voltar às 13h, pois o voo sairia, então, às 14:30, no dia 27/07/2015. Ao retornar no horário marcado, constava no portão que o voo sairia às 15h, mas alguns passageiros haviam trocado o cartão de embarque e, nele, constava o horário de 18h. Fomos em busca de informações mais precisas, mas não as encontramos em nenhum dos balcões da companhia. Fomos em grupo aos diversos setores em busca de algum gerente ou supervisor que pudesse nos dar uma posição mais confiável, mas os funcionários nos empurravam de setor em setor e, quando nos exaltamos um pouco mais, chegaram a chamar a polícia para nos deter.

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A polícia, até bastante compreensiva com a nossa situação, limitou-se a dizer que sua competência era restrita a questões criminais e, por nossa questão ser de caráter privado, somente nos restaria buscar algum tipo de reparação na Corte (Civil Court).

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Neste meio tempo, busquei diversas pessoas da companhia e informei que estava grávida e que necessitava de acomodações mais adequadas, mas eles pouco se importaram com isto.

Por volta das 16:30, conseguimos conversar com uma gerente de atendimento, que nos tranquilizou afirmando que o vôo das 18h, sim, estava confirmado e seria realizado numa aeronave que viria de New York. Chegou a imprimir um comprovante do que estava dizendo e, quando afirmamos não haver confirmação deste voo no Brasil, afirmou que esta confirmação só se dá quando o avião decola, tentou nos tranquilizar/enrolar.

Às 17:15, realmente chegou uma aeronave vindo de New York, os passageiros desembarcaram e a presença de um avião aparentemente operacional nos encheu de esperança de acabar nosso martírio. Ledo engano. Pouco depois, fomos informados que a aeronave estava em manutenção para resolver um problema no radar. O voo foi remarcado para as 19:30.

Uma grande comoção se formou no balcão e a companhia aceitou relocar alguns passageiros no outro voo 229, originalmente marcado para sair às 23:54 do dia 27/07/2015. Neste momento, fui ao balcão e falei que estava grávida, que deveria ter prioridade, mas a atendente, sem nem olhar pra mim, falou que ali não havia este tipo de prioridade. Retruquei que ali havia grávidas, idosos e deficientes, que eles deveriam ter algum tratamento prioritário, mas ela novamente falou que não havia qualquer tipo de prioridade, que eu deveria entrar na fila como todo mundo. Marido já estava na fila, mas, na sua vez, já haviam acabado as vagas disponíveis naquele voo. Tentei, então, relocação por telefone e consegui naquele mesmo voo que supostamente não tinha vagas. Pronto, resolvido, naquela noite conseguiríamos voar.

Às 18:30, afirmaram que os problemas da aeronave haviam sido resolvidos, mas que agora não havia tripulação disponível para voar. Por volta das 19:30, já havia notícias que havia a tripulação, mas que a aeronave agora estava com um problema nas poltronas da saída de emergência. Não se sabia mais o que era desculpa e o que era verdade e se era realmente seguro voar naquela aeronave. Por volta das 21h, supostamente resolvido o problema, começaram a embarcar os passageiros. Nós, que estávamos relocados no outro voo, frente à insegurança de ficar novamente no aeroporto e à possibilidade de embarcar imediatamente, conseguimos trocar de volta para o voo original e novamente embarcarmos.

Ao ver o avião parado na pista, já nos bateu o pânico de ver acontecer novamente tudo o que acontecera na noite anterior. Infelizmente, o receio se confirmou e, mais uma vez, fomos desembarcados, a aeronave supostamente teria um problema no sensor de calor da uma das turbinas. Ficamos mais de 1 hora dentro da aeronave, antes de desembarcar, o que foi suficiente para perdermos aquele outro voo que, naquele momento, já estava completamente lotado (somente uma pessoa ainda conseguiu embarcar naquele momento).

Os ânimos já estavam exaltados, tanto que quando descemos do avião, já havia reforço policial no portão. Desconfio que a demora em nos desembarcar se deu para que a polícia chegasse, já que as reações mais exaltadas já eram esperadas pela companhia. Pudera.

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Desta vez, pelo menos, providenciaram de imediato os vouchers de hotel e alimentação, de modo que saímos do aeroporto perto da meia noite. De pronto, também nos relocaram em um novo voo, AA9247 e trocaram nosso cartão de embarque, orientando a voltar às 9h, pois sairíamos às 11h. Desta vez, pelo menos, conseguimos ver a confirmação do voo no Brasil, o que nos dava um pouco mais de segurança de que ele realmente iria ocorrer.

11800163_10204438505465978_5166952286345678264_nSomente neste momento recebemos retorno do Consulado Brasileiro, com o qual entramos em contato em busca de assistência. Uma resposta fria, seca e que demonstrava atenção quase zero ao nosso pleito. Naquele momento, tivemos a inocência de acreditar que o Consulado Brasileiro poderia nos dar algum tipo de assistência real, nem que fosse o de providenciar melhores alocações para as pessoas idosas, debilitadas e, por que não, gestantes presentes naquele grupo.

Nosso embarque iniciou naquele dia às 10:30, no avião, a tensão continuava à medida em que víamos que o voo não estava, de fato, pronto. Aguardavam o fornecimento de comida, aguardavam o carregamento das malas… No fim das contas, finalmente decolamos às 12h, pouco mais de 36h do horário previsto originalmente para o embarque e, graças a Deus e às orações de todos, chegamos bem e em segurança a Salvador.

Outras pessoas estavam ou continuaram ainda mais tempo neste martírio. Pessoas que haviam perdido conexões por atrasos da American Airlines e acabaram naquele voo. Pessoas que conseguiram ser relocadas para outras cidades do Brasil para pegar outra conexão para finalmente chegar em Salvador. Desejo que estas pessoas também já estejam nas suas casas neste momento e que jamais tenham que passar por isto de novo.

Todos sabemos que imprevistos acontecem e que é normal haver atrasos em voos por diversos motivos, mas o estresse do grupo, neste caso, foi gerado mais pelo descaso e maus tratos da companhia do que com o atraso em si. Não que um atraso de 36h seja aceitável, mas as condições a que todos forma submetidos neste período foi extremamente desgastante e desumana.

O que nos resta agora é buscar a reparação de danos por via judicial, mas uma prestação pecuniária jamais vai compensar todos os danos e humilhações sofridos por todos, sobretudo pra os dois bebezinhos em formação que estavam presentes naquele voo. Fica o alerta então para quem planeja suas próximas viagens, pois soubemos de muitos problemas parecidos ocorridos em outros voos da companhia. Com certeza é uma economia que não vale a pena.

Vejam notícias que foram divulgadas sobre o caso:

A Tarde – Brasileiros ficam retidos em Miami após problemas em avião

A Tarde – Brasileiros chegam a Salvador após 48h em aeroporto de Miami

A Tarde – Atraso em voo de Miami para Salvador gera multa do Procon

Bahia Notícias – Voo com destino a Salvador tem problema e brasileiros não deixam Miami há dois dias

Bom dia Brasil – Brasileiros ficam dois dias em aeroporto após cancelamento de voo

BA TV – Passageiros de voo Miami-Salvador reclamam de falta de informação após cancelamento

Jornal da Manhã – Cansaço e alívio marcam a chegada de baianos que aguardaram mais de 48h por voo em Miami

Bahia Meio Dia – Últimos passageiros de voo Miami-Salvador que foi cancelado chegam a capital após 48 horas

Bahia Meio Dia – Passageiros começam a chegar em Salvador após 48 horas de espera por voo em Miami

G1 – Passageiros de voo que atrasou em Miami embarcam; entenda os direitos

 

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Diário de Viagem: Fortaleza-CE

Quando programamos ir a Pedro II, procuramos também um aeroporto próximo que tivesse passagem com preço razoável para voltarmos pra casa e, dentre as opções, escolhemos vir por Fortaleza. Pegamos um ônibus de Piripiri-PI e viajamos durante a noite até Fortaleza, chegamos lá cedinho e só tivemos um dia e meio, já que nosso vôo saía às 14h do dia seguinte. Tratamos de aproveitar da melhor forma!

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Praia de Iracema

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Diário de Viagem: Teresina e Pedro II-PI

Este ano está ótimo pra viajar! Meu cunhado estava passando as férias aqui em casa e, quando acabou e ele estava voltando pra a cidade dele, resolvemos aproveitar nosso tempinho livre pra conhecer a cidade e fazer a visita que estávamos devendo. Fomos de carro com ele e demos continuidade à viagem, mas isto fica pra outro post.

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Começamos a viagem por Teresina, só passamos uma tarde, pois ele tinha assuntos a resolver por lá…

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Diário de viagem: Grand Canyon

Continuando nossa viagem a Vegas, planejamos tudo pra ter um dia livre pra conhecer o Grand Canyon. Existem vários acessos ao Canyon, o mais perto de Vegas é o West Rim que, providencialmente, é onde fica a Skywalk, uma passarela de vidro que avança sobre a fenda… Existem vários tipos de pacotes para conhecer o Grand Canyon, dá pra descer um pedaço do rio de barco, sobrevoar de helicóptero, se hospedar em um dos hotéis do parque… O que vai determinar seu passeio é a disponibilidade de tempo e, claro, de dinheiro. Como queríamos só conhecer, optamos por um pacote econômico incluindo a entrada na Skywalk. 14_07_08_grandcanyon_01 Continuar lendo

Dicas de viagem: organizando uma viagem dos sonhos

Oi queridos!

Mesmo com a saída de Mari Paixão, não queria deixar esta coluna de viagens morrer… Eu sempre gostei muito de viajar (desde criança, viajávamos bastante, acabei adotando o hábito), mas nos últimos anos percebi que acabava viajando pouco ou não fazendo uma viagem legal por alguns motivos “bobos”, como não conseguir folga/férias ou não ter dinheiro sobrando pra isso. Ok, não são motivos bobos, mas são perfeitamente contornáveis se adotamos uma coisinha mágica: planejamento! Na verdade, só fui perceber isso na minha lua de mel, pois a organização do casório acabou nos impulsionando pra fechar a viagem com bastante antecedência e isso, por si só, contornou a maioria dos problemas. No final das contas, passamos dias maravilhosos na Europa, uma viagem que eu imaginava não conseguir encaixar nos gastos que já estava tendo pra a festa…

13_03_21_viagens_01Resolvi deixar umas diquinhas que aprendi com meus erros, espero que ajudem:

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