Tudo eu

Nas últimas duas semanas, tive a companhia da minha querida Tia Suze, que havia prometido esta visita desde que descobri minha gravidez. Ela veio pra fazer companhia, pra fazer comidinha fresquinha todo dia, pra deixar meu freezer abastecido de comida, pra revezar colinhos pra Gabriel, pra me liberar pra umas saídas, enfim, pra prestar uma ajuda real tão necessária. Muito obrigada, Tia Suze!

2ea4e7_44acf202abe24ba9b89c55e4df88e92aBom, então nestas duas semanas, tive uma rotina mais leve, consegui ler um pouco e um dos livros que li foi Tudo Eu, de Elisama Santos. Senti-me extremamente acolhida por suas palavras (até porque também pari uma cotovia)…

Não lembro exatamente se Elisama ou alguma outra pessoa falou que “ser mãe é padecer num paraíso solitário”. E é. Sinto isso desde que pari e senti muito nestas semanas, por alguns motivos. Primeiro pela cobrança que sentimos em estarmos sempre felizes por sermos mãe, enquanto nosso coração e nosso corpo estão em frangalhos. Depois, porque (quase) todo mundo à nossa volta faz questão de perpetuar a ideia de que a maternidade é linda 100% do tempo. Tenho amigas com filhos de poucos meses que fazem parecer tão fácil e maravilhoso que acabo me sentindo ainda pior quando divido alguma experiência negativa. Parei de dividir minhas experiências com as pessoas mais próximas.

Senti isso com força quando publiquei meu último post, pois relatei minha experiência com o sono de Gabriel e, embora tenha feito um relato muito sincero, percebi que algumas pessoas focaram no “dormia 6h seguidas”. Sim, ele chegava a dormir 6h seguidas, mas isso nunca foi rotina e quando acontecia era motivo de muita comemoração! Percebi que quando a gente conta alguma vitória na maternidade, imediatamente é interpretado como se tudo fosse fácil. Não é fácil não, gente, é muito difícil!

Então, calhou do Marido precisar viajar esta semana, justo quando Tia Suze estaria aqui. Foi Deus que programou as coisas certinho. Ok, não tão certinho, porque calhou de Gabriel passar por um pico de crescimento AND crise dos 3 meses em plena viagem do pai. Okay, a força na peruca teve que ser redobrada!

Pra quem não é mãe (ou teve a sorte de ter um bebê-anjo), durante os picos de crescimento, o bebê requisita MUITO a mãe. Gabriel costuma passar a fazer as mamadas da madrugada a cada 1 ou 2h. Durante o dia também fica mais grudado. Alie a isso o fato de eu simplesmente não conseguir dormir durante o dia. E eu tento, viu?!

No sábado, mais ou menos às 19:30, comecei a sentir meu olho arder. Olhei no espelho, nada, deduzi o óbvio: sono. A cabeça começou a doer, fazendo companhia pro corpo que já doía inteiro e tinha dificuldade de subir as escadas. Marido eatava viajando há duas noites e por duas noites estava cuidando de um pico de crescimento sozinha. Durante o dia, Tia Suze já ajudava bastante, achei que daria conta das noites.

Obviamente, não havia dado conta das duas noites, pois nesta terceira já estava esgotada. Fiz a rotina da noite, Gabriel dormiu e liguei pra Marido. Expliquei-lhe que estava num nível de exaustão tal que ele precisaria assumir a cria por pelo menos três horas naquela madrugada, quando chegaria de viagem, pra que eu pudesse dormir. Acerto feito, virei pro lado e adormeci imediatamente.
Vinte minutos depois, Gabriel acordou chorando, fui socorrê-lo, mas o peito não adiantava, o colo não adiantava, o balanço não adiantava. Estava sofrendo do Efeito Vulcão, pois quase não dormira durante o dia. Estávamos os dois num efeito vulcão e ali, sentada em seu colchão, abraçada a ele, comecei a chorar. Copiosamente. Soluçava um choro de desespero e angústia. Será que será sempre assim? Eu não vou dar conta. Eu não estou dando conta.

Tia Suze ouviu meu choro e correu ao quarto. Arrancou Gabriel dos meus braços e ordenou que eu saísse pro meu quarto ou deitasse ali mesmo pra dormir. Fui pro meu quarto pra tentar esquecer que tinha um bebê insone ali ao lado.

Dormi profundamente. Durante a noite, mais ou menos a cada duas horas ela ou Marido (que chegou e eu nem vi) traziam Gabriel pra mamar, sempre que o ninar não resolvia mais. E assim tive uma noite de sono que, se não se pode dizer que foi boa, pode-se dizer que foi razoável, pelo menos pra recuperar a sanidade…

Hoje a tarde fui deixar Tia Suze na rodoviária e chorei ao me despedir. É muito difícil encontrar alguém que te ajude de verdade, entendendo que a situação em que nos encontramos não é culpa nossa, nem de Gabriel, nem de ninguém, simplesmente são as coisas como elas são, porque a maternidade é assim. E porque pedir ajuda é necessário e também porque receber ajuda sem pedir é reconfortante e renovador.

mari2

Anúncios

50 tons… de um conto de fadas moderno…

Nem acredito que estou escrevendo esta resenha, mas como tantas mulheres estão falando, achei que, sim, era assunto de mulherzinha… Quem não leu a trilogia “50 tons” e pretende ler, alerto de antemão: contém spoiler, ou seja, contém revelações sobre a obra, então não prossiga… Quem AMA Christian Grey, também aconselho não seguir em frente, pois minha opinião não irá agradar e eu não escrevo pra ofender ninguém, só pra dar o meu ponto de vista… Resolvi ler e resenhar porque minha mãe ganhou o primeiro livro, ganhei o segundo (pequei o terceiro emprestado) e o burburinho tem sido tão, tão grande, que eu acabei me rendendo…

box-trilogia-cinquenta-tons-frete-gratis_MLB-O-3433432896_112012

Bom, pra não começar criticando, tenho que dizer que a trilogia tem um mérito: ela é envolvente. Uma vez começada, fica quase impossível ter vida, porque ela envolve de uma maneira que só nos faz largar o livro quando acaba.

No mais, trata-se de uma versão moderna das historinhas de contos de fadas que líamos na infância: uma menina comum (plebéia), insegura e pouco popular que encontra um príncipe encantado rico, bonito e que a ama incondicionalmente. “Ah, mas tem sexo também”, dirão. Sim, tem cenas de sexo também, mas nem de longe correspondem às expectativas criadas: não, não existe nada além do sexo comum entre os casais comuns que conhecemos, acreditem. Certamente encontraremos mulheres ouriçadas com a “ousadia” do livro, mas isto é resultado de uma sociedade extremamente repressiva e pudica em que vivemos. Para as mulheres que se sentiram assim ao ler o livro, ouso dizer que isto é somente falta de experiência no assunto: vocês certamente vão fazer quase tudo o que Christian e Ana fazem entre quatro paredes, uma hora ou outra da vida…

Bom, vale aqui uma breve descrição dos personagens principais:

Christian Grey – Alto executivo de uma holding que ele mesmo criou, do nada, com um investimento inicial de apenas US$100 mil. Aos 27 anos, é um dos homens mais ricos e bem sucedidos dos Estados Unidos. Além disso, é muito bonito, educado e sensual, além de ser muito bom de cama. Fora isso, é dominador, controlador, superprotetor, obsessivo  e perdulário (mas, ok, ele é rico).

Anastacia Steele – recém formada em literatura, é uma menina de origens modestas, trabalha numa loja de materiais de construção. É uma menina bonita, mas sem graça, morena, magra, extremamente insegura e inexperiente em relações amorosas.

O primeiro livro, Cinquenta Tons de Cinza, é, sem dúvida, o menos pior dos três. Inicia-se com o encontro de Grey e Ana. Ele quer que ela assine um contrato aceitando ser sua submissa sexual, ela passa as quatrocentas e tantas páginas num eterno impasse para decidir se aceita ou não. Neste livro, eles se conhecem um pouco melhor, ela ao seu estilo de vida, ele ao dito “sexo baunilha”, ela perde a virgindade, ele a mima com presentes caros, como primeiras edições dos livros que ela gosta, computador, smartphone, carro, roupas de marca… Ao final do livro, ela decide que não quer ser sua submissa e o final, ao meu ver, foi até bastante plausível… O primeiro livro possui bastante cenas de sexo, algumas até bem excitantes, que deixam no ar a expectativa de um sexo mais apimentado, em “tons mais escuros”, que acreditei que seriam explorados na sequência da trilogia, mas…

Em Cinquenta Tons Mais Escuros, Ana e Grey se reencontram e ele abre mão de seu estilo de vida (dominador), pra manter um relacionamento “normal” com ela. Ela então é apresentada à sua família, passa a praticamente viver com Grey e a ganhar mais e mais presentes e luxos. Neste livro, quase não há mais cenas de sexo. Mesmo sendo bem frequente entre o casal, as cenas pulam das preliminares direto pra o afago pós-sexo dos protagonistas. O foco agora é no romance dos dois e o antagonista da história é  uma ex-submissa de Grey que supostamente surtou e os persegue em busca de ninguém sabe o quê. Mesmo com todo o aparato de segurança do rico Christian Grey, a menina consegue invadir sua casa não somente uma vez e, a despeito de ter consigo uma arma, nada faz. Toda esta trama só se presta a demonstrar o obsessivo e superprotetor que é Christian, nunca representou uma ameaça real. Também neste livro, Grey revela que comprou a empresa onde Ana trabalha e, quando seu chefe resolve assediá-la, Grey faz com que ele seja despedido e que Ana chegue ao cargo de Editora. Todo o livro se desenrola em mais ou menos um mês, e, ao fim deste período, Christian e Ana resolvem se casar…

O terceiro livro, Cinquenta Tons de Liberdade, consegue ser ainda mais enfadonho. Depois de casarem (2 meses após se conhecerem), Grey e Ana passam uma lua de mel de sonho pela Europa. Quase 90 páginas de lua de mel já revelam o quanto será maçante o resto da história. A despeito disso, o livro pede o tempo inteiro por uma reviravolta, porque as divagações repetitivas de Ana são tão cansativas… Neste, há ainda menos cenas de sexo, quase nenhuma completa como no primeiro livro… A autora tenta levantar a história com uma gravidez a priori não aceita por Grey. Convenhamos que a reação dele não foi de todo exagerada: que mulher em sã consciência “esquece” de tomar anticoncepcional por 4 meses?! Bom, depois disso, Ana heroicamente salva a cunhada de seu antigo chefe, inacreditavelmente conseguindo entrar num banco armada e sair de lá com US$5 milhões, depois encontrando o sequestrador e, mesmo espancada, conseguindo acertar um tiro em sua perna. Depois disso Grey aceita sua gravidez, começa a revelar seus segredos espontaneamente e todos são felizes para sempre.

Devo dizer que a autora foi muito inteligente ao construir a história. Afinal, quantas meninas inseguras não se identificam com Ana? Quantas meninas não queriam um homem lindo e rico a seus pés? A intenção em fisgar estas meninas se evidencia na superproteção de Grey, nas marcas caras e populares presentes nos livros (os objetos quase não são descritos por suas características, mas somente por suas marcas), no desejo em subir rapidamente na carreira, sem muito trabalho, no desejo em se satisfazer sexualmente e deixar as inibições de lado… Nós, mulheres, somos muito reprimidas, sobretudo sexualmente, e o livro acaba funcionando como válvula de escape, como um ponto máximo de perversão que nos é permitido… No entanto, não há nada de muito perturbador em termos de sexo em nenhum dos livros. Mesmo as cenas BDSM são leves, facilmente reproduzíveis por qualquer casal… Ao mesmo tempo, o livro também descreve a mulher dos sonhos dos homens: insegura, sempre disposta pra o sexo e obediente (sob a desculpa de que não quer fazer seu parceiro ficar de mal humor).

Justiça seja feita, não há nada de mal em sonhar com um príncipe encantado, mas é preciso ter em mente que a trilogia é um mundo de fantasia, ou seja, aquelas pessoas e aquelas situações NÃO EXISTEM! Digo isto porque tenho visto pessoas acreditando, de verdade, que aquilo pode se tornar realidade… Pra estas pessoas, permito-me passar um pouco do que aprendi com a minha (pouca) experiência:

  • Um relacionamento não se resume a sexo. No livro, todas as brigas, todas as necessidades, todas as diferenças são resolvidas com sexo. No mundo real, não dá pra passar por cima de suas frustrações, elas não acabam magicamente num orgasmo…
  • Nem sempre o homem está “a postos” a qualquer momento. Também são raros, e em raros momentos, aqueles que conseguem segurar uma ereção por duas, três relações seguidas, sem nenhum momento de descanso.
  • As mulheres têm variações hormonais durante o mês, de modo que nem sempre estão tão fogosas quando nossa heroína. Nós, mulheres, temos outras necessidades além do sexo e, não raro, não conseguimos manter a excitação logo depois de uma frustração, como acontece tantas vezes nos livros. Além disso, a mulher é um ser bastante sensível, ter tesão logo depois de ser espancada e estar toda dolorida é extremamente inverossímil.
  • Mulheres que ficam relembrando sempre as mesmas coisas, propondo sempre as mesmas brigas e, sobretudo, trazendo ex-relacionamentos à baila são extremamente cansativas (até pra outras mulheres e pra elas mesmas). Não me lembro de conhecer um homem, além do Sr. Grey, que não abomine isto.
  • Um sorriso do seu marido não cura todas as feridas. A convivência acaba evidenciando também os defeitos do outro e, nos momentos de briga, são eles que nós percebemos, não raro esquecemos das qualidades do outro nestes momentos… No livro, Christian joga seu charme para acalmar as brigas e conseguir o que quer. E consegue. No mundo real, a pouca importância que o homem dá aos nossos questionamentos acaba virando frustração, o que é um veneno pra qualquer relacionamento.
  • Uma relação não cura um trauma de infância. Muito menos em poucas semanas. Os psicólogos e psiquiatras que me corrijam, mas um trauma com raízes não profundas como o do protagonista da série dificilmente se resolveria com algumas poucas semanas de convivência e, diga-se de passagem, com uma menina tão problemática quanto Ana.

Eu deveria MESMO ter anotado todos os absurdos que eu achei ao longo da leitura, mas aí este post é que ficaria enfadonho, não é mesmo?! Desculpe-me quem AMA a série, mas isto aqui exposto não passa da minha opinião, por isso, continue amando os livros, a beleza da vida é que somos e pensamos diferente, não é mesmo?

Mesmo assim, queria saber a opinião de quem leu! Deixem nos comentários…

Beijos!

mari

Nina Garcia (Who?) e #as100+

Hoje o post vai ser rapidinho, porque é feriado e maridão tá na cidade (\o/)! Recentemente postei no Instagram (me segue lá) o livro que acabara de comprar:

Desde que comecei a fazer aquele trabalho de consultoria de imagem e descobri que o estilo a explorar é de base clássica, fico tentando me ater a peças mais atemporais e fugindo um pouco das modinhas, por isso, quando vi este livro, não resisti e trouxe pra casa. Foi aí que tive a ideia de criar esta tag.

Nina Garcia é colombiana, mas é editora da revista Marie Claire americana, além de ser jurada do Project Runway, que eu adoro! Só pra constar, o Project Runway não se compara àquele Projeto Fashion que tivemos no Brasil. Embora o formato e a atuação das apresentadoras seja IDÊNTICA (até as falas), o americano é disputado por estilistas de responsa que produzem peças que nem de longe demonstram o amadorismo das peças produzidas no Projeto Fashion.

Voltando ao assunto, neste livro, Nina relaciona as 100 peças que, em sua opinião, são indispensáveis à mulher contemporânea. Nesta tag, vou falar um pouquinho de cada uma e dar a minha (humilde) opinião sobre elas, começando com o Anel de Brasão:

Antes de começar a escrever este post, dei uma pesquisada e descobri que criar e usar um brasão não é nada fácil, pois tudo obedece a regras bem restritas (que não vêm ao caso). O anel de brasão, na antiguidade, era acessório essencial a qualquer pessoa da sociedade, sobretudo às mulheres, para provar seu status. Geralmente, representava um cargo, um clã ou uma região e era usado para selar cartas, funcionando como uma assinatura.

Acredito que hoje a forma mais usável é a evolução deste tipo de anel pra aqueles anéis com iniciais ou símbolos bem particulares. Imagino que não haja sentido na não exclusividade neste tipo de jóia, portanto, a melhor forma de usá-lo é fazer seu próprio anel ou, ainda, procurar raridades em antiquários ou joalherias que vendem antiguidades. Particularmente, não acredito que esta peça seja essencial, acho que a pessoa tem que ter um estilo mais forte pra usar este tipo de jóia, mas hoje vemos muitas releituras interessantes, como os anéis com nomes, que podem ser uma forma de reciclar o clássico pra a contemporaneidade, mas acho importante que, mesmo com estilo atualizado, este tipo de peça deve ser bem particular…

Não tenho o meu, mas estou treinando meu olhar, quando encontrar, faço um update e mostro aqui pra vocês!

Abraço!