Diário de viagem: New York, New York…

Não sei vocês, mas eu sempre morria de vontade de conhecer New York e, finalmente, deu certo pra mim! Consegui comprar minha passagem baratinha na Black Friday do ano passado e, como tinha hospedagem garantida na casa de minha amiga, tomei coragem e fui. Sozinha!

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Skyline de Manhattan visto da ilha da Estátua da Liberdade

Pra começar, devo dizer que a cidade é muito grande, tem muita coisa pra fazer e os 9 dias que passei por lá não deram nem pro começo… Antes de ir, planeje bastante seu roteiro, porque tem coisas pra todos os gostos e, como anda-se bastante, é uma viagem bastante cansativa. Fui no início de março, portanto, final do inverno, mas dei sorte de pegar temperaturas até agradáveis (entre 9º e 14ºC), mas o ideal mesmo é fazer esta viagem na primavera ou no verão, a menos que queira também ver neve.

Sinto que foi muito bom ter demorado tanto pra terminar este post. Hoje, relembrando tudo o que vivi, na viagem e depois dela, eu cheguei à conclusão de que talvez esta tenha sido a viagem que mais gostei de fazer até hoje. A sensação de passear pelas ruas de um lugar desconhecido, observando as pessoas e os costumes e, mais que isso, estando completamente só, foi uma experiência incrível.

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Brooklyn Bridge Park

Brooklyn Bridge Park

Este parque é famoso pelo carrossel lindo que aparece em todos os filmes! Eu não andei no carrossel, que estava coberto por conta do frio, no inverno sempre fica assim, funciona num espaço fechado. Recomendo chegar no por do sol, para ver uma paisagem inebriante e tirar fotos lindas!

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Brooklyn Bridge Park

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Brooklyn Bridge Park

Ah, o sorvete de café na Ice Cream Factory do Brooklyn Bridge Park é imperdível.

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High Line Park

High Line Park

O High Line Park é um parque linear elevado, próximo ao Chelsea Market. A vista de cima é linda. Em outras estações imagino que seja muito gostoso passar um tempo sentado nos banquinhos que tem por lá, na neve, o interessante é imaginar que um “viaduto” possa ser construído para as pessoas passarem um tempo se divertindo e não para os carros.

Chelsea Market

Eu adoro mercados. Sempre tento ir nos mercados das cidades. No Chelsea, além de comidas deliciosas, há lojinhas de ingredientes diferentes e inusitados, além de lojas de roupas e acessórios. O ambiente é fechado, com uma arquitetura que é a cara de NYC. Tem que ter um tempinho pra ver tudo e muito auto controle pra não sair de lá carregado de sacolas (de comida, principalmente).

Union Square

Union Square

Union Square

É um lugar lindo pra tirar fotos. Quando não há neve, a praça fica cheia de artistas e pessoas passeando. Pela estação da Union Square passam diversas linhas de metrô, então é um local bem movimentado. Há muitas lojas e alguns bares no entorno.

Conie Island

Conie Island

Conie Island

Praia na neve, quem vai? Apesar da viagenzinha um pouco longa de metrô, queria conhecer. O parque, infelizmente, estava fechado, mas é um lugar lindo, com um deque enorme e gostoso de caminhar.

Connie Island

Connie Island

Estátua da Liberdade e Ellis Island

Estátua da Liberdade

Estátua da Liberdade e Ellis Island

O passeio para a Estátua da Liberdade é feito de ferry. Trata-se de uma linda circular, que faz três paradas, a primeira na ilha da estátua, a segunda na Ellis Island e a terceira em Manhattan. Pode ser comprado incluindo também a subida até o pedestal da estátua ou até a coroa. Para a subida até a coroa, a compra deve ser feita com alguns meses de antecedência, pois poucas pessoas podem subir diariamente. Dentro da estátua, há um museu muito rico, que conta toda sua história. O parque no entorno também é enorme, num dia mais quente imagino que seja muito bom pra passear, com crianças, inclusive.

Ellis Island

Ellis Island

Em Ellis Island, pode-se visitar o Museu da Imigração, no local onde os imigrantes eram recebidos e inspecionados antes de poderem entrar nos Estados Unidos. Muitas das salas e materiais expostos estão extremamente bem conservados, com alguns cômodos que nos levam de volta ao passado. Como no museu da Estátua da Liberdade, há um aparelho de áudio que explica cada coisinha exposta.

9/11 Memorial

9/11 Memorial

9/11 Memorial e 9/11 Museum

No local onde estava o World Trade Center, há dois memoriais como este (uma piscina com cascata nas laterais e com o nome de todos os mortos no atentado em volta). Vale a pena passar pra conferir (fui andando do local onde saem os ferrys para a Estatua da Liberdade) e, se interessar, entrar no museu. Eu não entrei no museu, pois não era uma das minhas prioridades nesta viagem.

Wall Street Bull

Charging Bull

Charging Bull

O famoso touro de Wall Street. Fica pertinho do 9/11 Memorial. Reza a lenda que tocar nos seus colhões faz a gente ficar rico. Tô esperando ainda. rss

Times Square

Times Square

Times Square e Broadway

Visitar a Times Square é programa básico de turista. Imagino que marido ficaria lá por quase um dia só observando os painéis (eu que nem sou da área fiquei caçando os painéis defeituosos, rs). É um lugar pra dar uma olhada, quem sabe comprar um ingresso para algum show… Como fui numa viagem econômica, acabei assistindo somente ao Rei Leão (vale a pena, chorei até), mas acho válido assistir a vários musicais, a produção é impressionante.

Acho que o post tá ficando grande, o WordPress não tá deixando colocar mais nenhuma foto! rss Vou aproveitar e ninar Biel um pouco, depois continuo este diário!

Grande beijo!

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Um mês sendo mãe. O que descobri


– Não senti uma conexão imediata com meu filho, pelo menos não do jeito que eu imaginava. Tenho um instinto forte de proteger, cuidar, alimentar, mas acho que a relação mãe-filho, como qualquer outra, é uma construção, ainda estamos alicerçando essa relação, de maneira bem intensa, diga-se de passagem;

– É mais fácil do que parece. Sou dessas que tem medo de chegar perto de recém nascido, mas com Gabriel é diferente, parece que instintivamente (também), sei como pegar, como trocar, como dar banho, tenho uma vontade incontrolável de ficar limpando ele (lembrei da minha cachorrinha lambendo os filhotes), perdi o nojo de MUITAS coisas! O mais legal é que com o pai ocorreu o mesmo, fico impressionada a cada dia com a naturalidade com que estamos lidando com ele, mesmo com várias pessoas praticamente dizendo “não pega assim que quebra”, rss;

– É mais difícil do que parece. Tem horas que penso que estou fazendo tudo errado, de tanto que ouço palpite e comparações. Como fazem os bebês dormirem no berço e a noite toda? Ou como conseguem levantar pra amamentar a noite toda? Como passam pelos dias em que eles estão carentes sem dar colo o tempo todo? Como não os “viciam” em colo e carinho? * Pra mim eles já nascem com uma necessidade de colo e carinho, não entendo como um bebê que estava todo aconchegado dentro da barriga pode ficar viciado em colo só depois que nasce (e recebe colo);

– A puérpera chora. Muito mais que a gestante. Ô, muuuito mais;

– Demora um tempo pra a gente organizar a casa (e a mente). Organizar-se pra ter ajuda, pelo menos nos primeiros dias é essencial. Com ajuda, é possível até fazer coisas alheias à maternidade (provas, por exemplo);

– Escolhi o melhor pai pro meu filho. Ter não a ajuda, mas a participação de Marido torna todo este processo muito mais leve;

– Amamentar é uma delícia. Sim, é bem difícil no início, os mamilos doem, às vezes machucam… Neste ponto, acho que valeram todas os vídeos que vi, todos textos que li, todas as conversas que tive e todos os cursos que fiz durante a gestação. Sabendo o que pode ocorrer e o que pode ser feito, a gente lida melhor com as dificuldades;

– Na minha opinião, quatro coisas são essenciais pra conseguir amamentar, três dicas que recebi e tenho que repassar e uma final minha mesmo:

  1. Aprendam a pega correta e corrijam SEMPRE a boquinha do bebê se estiver errada. Só a pega incorreta dói. Hoje quando amamento fazendo outra coisa, já sei quando Gabriel pegou errado só de sentir;
  2. Usem pomada de lanolina no mamilo após cada mamada. E tirem o excesso com um paninho mesmo, antes de mamar, pois escorrega e prejudica a pega. Essa pomada foi essencial. Comecei a usar no primeiro dia, quando senti que meus mamilos tavam machucando, antes que rachassem, usei e eles nunca chegaram a machucar mais sério. Só usei por uns 10 dias ou menos, depois disso os mamilos já estavam calejados e não machucavam mais;
  3. Nos primeiros 10 dias, cubra os seios o mínimo possível. Leve esta a sério. Fique sem blusa e sem sutiã sempre que puder, se possível tome sol (mas eu nem tomei). Cobrir os seios machuca e não deixa as fissuras cicatrizarem, além de acabar tirando qualquer pomada que você coloca pra cicatrizar. Eu ficava nua da cintura pra cima o tempo todo, só me vestia quando tinha visita;
  4. Informe-se. Informe seu companheiro e quaisquer outras pessoas que estarão contigo no dia a dia, principalmente no início. Informe-se até ter absoluta certeza que: seu leite não é fraco, seu leite é suficiente pro seu filho, seu seio é tudo o que ele precisa sugar. Situações adversas na amamentação acontecem, mas antes de desistir ou complementar, procure ajuda especializada, vá num banco de leite, consulte o GVA no Facebook, veja vídeos na internet, leia livros, enfim. Somos de uma geração que cresceu tomando fórmula, geralmente não temos exemplos próximos de mães que amamentam, ao contrário disso, temos conselhos que nos mandam dar fórmula a cada dificuldade (ou “pra dormir melhor”);

– É preciso muita paciência e desprendimento. Tem dias tranquilos e outros em que seu bebê lhe exige 100% de dedicação. Dedique-se, ele é só uma criança que não sabe o que esperar do mundo, é você quem vai mostrar, com amor, que há razões para acreditar.

As dificuldades e os medos são muitos, mas o aprendizado também, esta é a melhor parte!

Cada fase traz muitas surpresas e desafios, vamos aos próximos!

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Relato de parto: nasceu Gabriel!

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Eu sempre fui convicta de que, quando engravidasse, daria à luz numa cesárea. Eu sabia que minha mãe havia perdido um bebê antes de mim no trabalho de parto e que, desde então, havia optado pela cesárea nos demais partos. Eu pensava: “eu e meu corpo somos tão parecidos com a minha mãe em tantos aspectos, eu também não vou conseguir parir normal, melhor não arriscar”… Não era da dor que eu tinha medo. Da mesma forma que era convicta que teria uma cesárea, era convicta também que o parto normal era a melhor forma de nascer.

De uns três, quatro anos pra cá, entretanto, alguma coisa aconteceu que me fez buscar uma mudança de estilo de vida. Comecei numa dieta para emagrecer e terminei com a consciência de que a gente se abandona nessa vida corrida e esquece que a vida pode ser moderna sem deixar de ser saudável ou natural. Aliado a isto, estava em pleno crescimento o movimento pela humanização do parto, o qual acompanhei de longe, sem a menor perspectiva de ter filhos por tão cedo.

Acompanhei de longe, mas a semente estava plantada. Assim que descobri a gravidez, veio o conflito das minhas antigas e novas convicções e, de tanto que ouvia falar, a primeira providência que tomei foi assistir com Marido ao filme “O Renascimento do Parto”. Chorei quase o tempo todo e naquele dia minhas antigas convicções viraram pó. Restava saber o que fazer pra conseguir o meu parto, pois, mesmo de longe, eu sabia que o caminho era difícil.

Lembrei então de uma amiga de uma amiga que havia tido um lindo parto domiciliar 6 meses antes e, providencialmente, eu tinha seu contato. Mandei umas mensagens meio sem noção, de desespero, e ela então me acolheu. Até hoje me acolhe e foi um presente que Gabriel trouxe pra minha vida. Lia então me pegou pelo braço e me encheu das informações que eu precisava pra iniciar a procura do meu parto. Aliado a isto, a terapia que eu já fazia há uns meses foi essencial pra que eu construísse a segurança que eu precisava nesta jornada.

Comecei o meu pré natal com um ginecologista obstetra (GO) que me parecia ser bastante humanizado. Desde a primeira consulta, incentivava o parto normal e era bastante acolhedor e experiente, tirava as nossas dúvidas na maior calma, não tinha muita “frescura” e isso eu adorava, pois sempre achei parte das recomendações dadas às grávidas meio exageradas. Em paralelo, me consultei com o Dr Rone Peterson, apenas para ter uma segunda opção. Minha segunda opção virou a primeira desde a primeira consulta, mas segui com os dois médicos em paralelo, até quase o fim da gestação. Enquanto o primeiro GO foi me deixando com o pé atrás ao longo do tempo, Dr Rone nos deixou seguros de que, com ele, conseguiria o meu tão sonhado parto, pois eu via nele uma dedicação especial, as consultas eram mais completas, eu nem precisava perguntar nada e ele esclarecia cada dúvida comum nas fases gestacionais, além de tirar nossas dúvidas, tudo isto com respostas baseadas em evidências científicas, que eu, claro, pesquisava “por fora”. Nos apaixonamos. Decidimos que queríamos parir assistidos por ele.

Houve, então, uma semana de hormônios a mil, em que liguei chorando pro Marido, com aquelas loucuras de grávida que acha que tudo vai dar errado. Para manter as coisas nos eixos (como ele sempre faz), Marido sentou comigo e começamos a fazer um checklist das coisas que tínhamos a fazer até o nascimento de Gabriel e uma dessas coisas era conhecer o Centro de Parto Normal da Mansão do Caminho (CPN). Confesso que, a esta altura já estava tão apaixonada pelo meu GO que a ideia de parir no CPN já era distante, mas fomos lá conhecer. Foi o que bastou para derrubar mais uma vez as minhas convicções. Saímos de lá tão encantados com a estrutura, a filosofia, o atendimento tão humano que tomamos nossa decisão, na 36ª semana de gravidez: o parto seria no CPN. Mantivemos Dr Rone como nosso plano B, pois as regras do CPN são bem rígidas, principalmente em relação ao tempo gestacional.

Decisão tomada, restava aguardar pelo parto. Eu tinha certeza que Gabriel viria depois de 40 semanas, meu pai jurava que ele viria no dia 24/10 (sem qualquer motivo, diga-se de passagem) e, no dia 24, minha mãe chegou pra ficar conosco, pra me acompanhar nesta etapa final e me ajudar no puerpério. Meu pai já ligava toda hora e lembrava que eu deveria avisar a qualquer sinal de trabalho de parto.

Vale lembrar que, diante do trauma de perder um filho, meus pais, embora desde cedo tivessem apoiado a minha decisão de parir, nunca foram simpáticos à ideia de parir em um lugar sem centro cirúrgico, pois, como ele mesmo disse, as emergências obstétricas ocorrem de uma hora pra outra e uma cesárea pode ser necessária emergencialmente. Quando conversamos sobre isto, fiquei bem balançada quanto à minha escolha, mas Marido estava muito seguro e sempre me dava a força necessária pra seguir. Se nós não estivéssemos convictos JUNTOS das nossas escolhas, com certeza minha insegurança daria um fim diferente a esta história.

Paralelo a isto, eu tive o acompanhamento da minha doula, Júlia. Escolhi Júlia porque, assim como Marido, sua visão deste processo sempre me pareceu bem prática, às vezes eu ficava até assustada com as informações que ela me trazia, que muitas vezes me pareciam um balde de água fria, mas que hoje sei que eram necessárias, pois se já sou emotiva normalmente, grávida, então, precisava ser colocada nos eixos de tempos em tempos.

Bom, minha mãe, então, havia chegado e, na segunda-feira, dia 26/10, tivemos um último encontro com Júlia, em que ela me deu informações sobre como proceder antes e durante o trabalho de parto. Como eu já estava com 39 semanas, passou também alguns exercícios que eu podia fazer para induzir naturalmente o parto, assim como chás e alimentos que eu poderia consumir para este fim, se quisesse. Eu estava com uma colicazinha fraca e só. Ela pegou na minha barriga e disse que o que eu pensava ser movimento de Gabriel eram contrações de treinamento. Vim pra casa com a recomendação de sempre ir pra cama cedo, para o caso de o trabalho de parto iniciar de madrugada, e me alimentar bem.

À noite, tomei um chá de canela com pimenta preta, fiz alguns exercícios na bola de pilates e fui dormir (tarde, às 22h, pois tinha ido a uma reunião de condomínio). Era virada de lua.

Exatamente às 23h45, acordei com uma contração. No mesmo momento, entendendo que não teria condições de acompanhar aquilo, baixei um aplicativo para medir a frequência e o tempo, se continuasse a tê-las. Achei melhor não acordar ninguém ainda, pois uma contração só não era sinônimo de trabalho de parto ativo. Continuei deitada, tentando relaxar e dormir um pouco. A voz de Júlia ecoava o tempo todo: “descanse, descanse, descanse”. Simplesmente não dava pra descansar. O máximo de descanso que consegui foi permanecer deitada, evitando, pelo menos, mais gasto de energia. As contrações vinham a cada 15 ou 13 minutos. Eram dolorosas, mas suportáveis, ainda mais porque, no intervalo entre elas, simplesmente parecia que nada estava acontecendo.

Às 2h da manhã, o intervalo entre as contrações já era de 10 minutos, então resolvi acordar marido. Disse-lhe que Gabriel estava a caminho e ele imediatamente começou a colocar as coisas no carro e organizar tudo. Com esta movimentação, minha mãe acordou e, ao saber o que estava acontecendo, também se arrumou, certa de que logo partiríamos pro hospital.

Eu estava muito calma. Tentava acalmar Marido e minha mãe, dizia que o intervalo entre as contrações estava muito grande ainda, que deveríamos esperar mais. Arrumei minha bolsinha de maquiagem pensando que quando chegasse no CPN, no intervalo entre uma contração e outra, me arrumaria pra sair bem nas fotos… Meio sem muita fé no trabalho de parto, liguei pra Júlia, que novamente me orientou a descansar. Sugeriu que eu tomasse um banho quente, para que as contrações espaçassem e eu conseguisse dormir nos intervalos, e que colocasse uma bolsa de água quente na lombar para aliviar a dor, enquanto ela iria acompanhando e vendo a hora de vir ficar comigo. Neste momento, ligamos pro meu pai, que viria ainda do interior, e queria muito me assistir no parto.

Entrei no chuveiro. Ah, a água quente é realmente milagrosa. As contrações que tive no chuveiro, marquei como fracas no aplicativo, tamanho o alívio da água. O tempo entre as contrações, entretanto, pareceu diminuir e, ao sair do banho, o intervalo não chegava a 5 minutos. Júlia então sugeriu que aproveitássemos o trânsito tranquilo da madrugada e nos encontrássemos no CPN. Já passava das 4h da manhã, demoramos a sair, pois meus movimentos, com contrações quase a cada 3 minutos, eram lentos, sempre parando para segurar a dor.

A dor, aliás, é grande, embora eu não ache que seja insuportável. De todas as contrações, se marquei 3 como “fortes”, foi muito. Como “muito fortes”, não marquei nenhuma. O mais louco é que é uma dor meio incontrolável, em que você se sente completamente inútil e incapaz de fazer qualquer coisa que possa ajudar a aliviar. Penso que é uma dor de treinamento pra a maternagem, em que tantas vezes nos pegaremos sem saber o que fazer. Durante as dores, virava bicho, não queria toque, não queria carinho, não queria música. Até a bolsa de água quente me dava raiva e ai se alguém inventasse de fazer qualquer tipo de massagem (até eu mesma). No intervalo entre as dores, parecia que nada estava acontecendo, dava realmente pra esquecer o que acontecera segundos antes.

Enquanto me preparava pra sair, me bateu um desespero, pois eu estava de mãos atadas, simplesmente não sabia como reagir àquilo, me arrependi amargamente de ter optado por passar por isto e só sabia repetir “eu não sei”, “eu não vou conseguir”.

Quando saímos, estava chovendo. Há semanas não chovia. Foi mágico, pois no Cordel que escrevi para Gabriel, associo sua chegada à chuva que cai e traz felicidade ao sertanejo.

Também no carro não encontrava posição. Sempre ouvi que a pior posição para o trabalho de parto é a deitada, mas eu só me sentia minimamente confortável deitada (de lado), inclusive no carro fui assim, com a cabeça no colo de minha mãe e abraçando um travesseiro.

Já em Pau da Lima, perto do CPN, comecei a sentir puxos durante as contrações, o desespero cresceu, pois não podia fazer aquilo ali, daquele jeito. Fiquei tensa e a bolsa estourou, sabia então que a coisa só podia piorar.

Chegando no CPN, fui à sala de admissão e a médica então fez o exame de toque, o primeiro de toda a gravidez, e disse “seu bebê já vai nascer”. Eu estava com 10cm de dilatação. Enquanto ela preenchia qualquer coisa no computador, veio uma contração e a técnica então disse que me levaria imediatamente à sala de parto.

Na cama de parto, comecei a tentar fazer força durante as contrações, mas não conseguia me concentrar, não conseguia respirar corretamente, estava com medo. Júlia chegou e, não sabendo dos meus ataques de histeria, imediatamente colocou música, como havíamos combinado, eu fiquei nervosa, mas não conseguia falar, até que Marido percebeu e falou pra ela desligar. Ela viu minha feição de medo e ficou ao meu lado, me acalmou, me confortou, me mostrou que eu podia, sim, fazer aquilo, e trouxe minha concentração de volta.

Na contração seguinte, respirei fundo e fiz uma força longa. Tão longa, que a enfermeira que me assistia pediu que eu a interrompesse, o que não foi possível (quando a gente começa a força, não quer mais parar). Nasceu a cabecinha de Gabriel. Fiquei ali olhando aquela cabecinha cabeluda penduradinha pra fora de mim. Foi incrível, estranho, assustador, tudo ao mesmo tempo, mas a principal sensação era de alívio, parecia pra mim que tudo tinha terminado ali. Alguns minutos depois, mais uma força e Gabriel saiu por inteiro, todo branquinho de verniz escorregadio e veio choroso pro meu colo, onde imediatamente se acalmou.

O cordão umbilical estava literalmente amarrado à sua perninha esquerda, mas pulsou por alguns minutos, quando foi então clampeado e cortado pelo pai (que não queria, mas foi convencido pela enfermeira).

Gabriel ficou no meu colo e mamou. Depois ficou nos admirando, reconheceu a voz do pai, ficou contemplando este novo mundo onde recém chegara. Enquanto ele mamava, recebi ocitocina, para evitar hemorragia e, em poucos minutos, mais uma força e pari a placenta.

Aos 55 minutos de vida, nos pediram autorização para fazer os procedimentos no bebê, apesar da regra do local ser esperar pelo menos 1 hora, mas haveria troca de turno. Autorizei, todos os procedimentos foram feitos no mesmo quarto, a maioria num bercinho do meu lado, não vi Gabriel chorar durante nenhum deles, nem das vacinas, e tudo o que estava sendo feito era antes informado pra mim, mesmo os procedimentos protocolares dos quais não caberia proibição de minha parte.

Com 39 semanas e 2 dias, Gabriel nasceu, às 6:17, do dia 27/10/2015, na presença de seu pai e sua avó, medindo 46,5cm, pesando 3,145kg. Recebeu colírio de nitrato de prata, injeção de vitamina k, e vacinas BCG e Hepatite B.

Eu sofri laceração de 1º grau e levei alguns pontos. A recuperação está sendo tranquila, sinto somente um incômodo dos pontos, quando vou ao banheiro, mas já consigo fazer qualquer atividade normalmente desde que cheguei em casa, no dia seguinte.

O parto foi assistido pela enfermeira obstetra Cristiane Oliveira Santos, pela minha doula Júlia Falcão Torres e pela técnica de enfermagem Rosa. Infelizmente, nossa querida fotógrafa, Lia, não conseguiu chegar a tempo de registrar o nascimento, mas chegou a tempo de dar o abraço e as palavras carinhosas, como em toda a gestação.

Agradecemos demais a todos os funcionários do CPN, que nos assistiram tão bem, antes, durante e após o parto. Fico emocionada de lembrar que existe um lugar tão humano e tão perto da gente, que pôde nos proporcionar este momento tão incrível das nossas vidas. Muito obrigada a todos.

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Finalmente falando da minha gravidez…

Este post está em rascunho há tempos. Não só este, mas um dia os outros saem também, mas, evidentemente, tem muita coisa acontecendo, mas enfim… Reuni neste post uma historinha baseada nas perguntas que mais tenho recebido durante a gravidez, então acho legal deixar tudo registrado mesmo, depois eu releio e fico lembrando e é super gostoso.

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Descobri que estava grávida no dia 31/04/2015. Não foi planejado.

Tenho ovários policísticos e havia parado de tomar pílula em agosto/2014, pois queria trocar o medicamento. Fui então numa ginecologista nova e, depois de uma anamnese super completa, ela levantou a hipótese de que eu tivesse ovários policísticos, por conta de meu histórico de menstruações desregulada e fortes cólicas. Ela então sugeriu que eu fizesse alguns exames, após o que faríamos a escolha do melhor medicamento para o meu caso.

Exames realizados, diagnóstico fechado, anticoncepcional prescrito. Na última consulta, em 20/03, informei que minha última menstruação havia sido em 25/01/2015, mas ciclos de 2, 3 meses são comuns pra mim e, como não estava sentindo absolutamente nenhum sintoma que acusasse uma possível gravidez, ela simplesmente receitou o medicamento e disse pra eu começar a tomar imediatamente. Passei uma semana corrida e, no domingo, fiz uma prova de concurso do TJ/BA. No sábado, havíamos comemorado o aniversário do marido, então eu havia bebido, fui dormir super tarde e acordei super cedo pra fazer a prova. No total, dormi cerca de 5 horas nesta noite e, ao chegar no local de provas, achei a sala extremamente abafada, foi um dia nublado e de bastante calor e umidade, somado a isto o fato de eu estar com uma ressaquinha e saindo de uma gripe, passei super mal durante a prova. Senti náuseas e um enjoozinho. Nada muito diferente de uma ressaca piorada pelas condições que relatei, mas fiquei com uma pulga atrás da orelha… No dia seguinte, passei na farmácia para finalmente comprar minha pílula e, por via das dúvidas, comprei também um teste de gravidez. Quem tem ciclos muito longos sabe que fazer um teste de vez em quando é super normal, então fiz o teste na terça-feira bem tranquila mesmo…

Acontece que este teste deu positivo. Não sei descrever a sensação de ver aquela segunda linha rosinha pela primeira vez. Foi desesperador. Foi como perder o chão. Foi estranho. Como sempre, nestas situações, fui buscar apoio do marido. Foi sem glamour que dei a notícia. Chamei-o, que estava se arrumando pra trabalhar, que veio rapidamente ver o que estava acontecendo. Eu estava sentada no vaso ainda, chorando, não consegui dizer nada, só mostrei o teste. Ele, muito feliz, tentou me acalmar, tentou falar com toda a sensatez e calma que lhe é peculiar, até que me acalmei. Fui dali pra um laboratório fazer um beta.

Neste dia, saí com alguns colegas de faculdade pra comemorar sei lá o que. Estava presente, mas com cabeça no resultado do exame. Pedi pro marido checar várias vezes na internet se o resultado saía, mas nada. Quando cheguei em casa, fui direto ao computador e já estava o resultado. Positivo. A sensação que eu tive foi indescritível. Nunca havia estado numa situação em que eu realmente não conseguia pensar em como reagir. Não consegui ficar triste, nem alegre, nem preocupada, nem empolgada, nem nada. Nada…

A partir daí, resolvemos contar primeiro aos nossos pais, pessoalmente, antes de qualquer pessoa. Estarmos na Semana Santa ajudou e no fim de semana já tínhamos conseguido contar pra todo mundo da família. Consegui marcar um GO pra a terça-feira seguinte. Cheguei lá falando logo: “olha, Dr, parece que eu tô grávida”. Ele achou graça e fez a anamnese de praxe. Quando fiz a ultrassom, já ouvimos o coraçãozinho batendo, foi emocionante. Já havia sinais de bracinhos e perninhas e ele mexia todos ao mesmo tempo e bem rápido, parecia um peixinho, tão pequenininho… O médico carinhosamente falou “este é o filho de vocês, podem espalhar a notícia” e a primeira ficha (ou pedaço de ficha) caiu. Nós teríamos um filho. Ele já estava com 10 semanas e 2 dias de acordo com a DUM (Data da Última Menstruação) ou com 9 semanas e 4 dias de acordo com a ultrassom.

Começamos então a dar a notícia pra as pessoas mais próximas, combinamos de espalhar nas redes sociais e afins somente quando fechasse o 1º trimestre. Assim o fizemos. Não que as pessoas não soubessem, pois os avós de primeira viagem ansiosos já tinham espalhado a notícia por meio mundo e as notícias correm. Ah, como correm…

A partir daí, foi uma loucura atrás da outra na minha cabeça: medo de engordar muito, rejeição à minha imagem refletida no espelho, receio de como uma criança passaria a fazer parte da minha vida, como ficaria a casa, como ficaria a rotina, como ficaria o casamento… Dentre tudo, nada me afligia mais do que o parto, mas esta é outra história, conto depois. Inicialmente, não conseguia curtir muito este momento, não me empolguei como vejo muitas mamães se empolgarem pra fazer o enxoval, arrumar o quartinho, comprar as roupinhas… Na minha cabeça, só vinham preocupações. Com tudo. Já fazia terapia desde antes, mas neste momento, sei que foi essencial este apoio pra passar por esta fase.

É muito difícil descobrir-se grávida. Mesmo com a relativa estabilidade que temos. Não sei como as gravidezes planejadas acontecem, se chegam de forma mais tranquila, mas assim, sem planejar, é muito, muito difícil. Aos poucos a gente vai se acostumando com a ideia, mas até hoje, às vezes olho pra baixo e me assusto com minha barriga. Às vezes me pego imaginando as coisas de que terei que abrir mão, das mudanças que ocorrerão nas nossas vidas, mas estes pensamentos são menos frequentes ou menos desesperadores. Muitas vezes sonho com tragédias, com um futuro não tão próspero, tenho pesadelos… Grávida sonha muito, viu? Mas percebo que tenho encarado tudo de uma forma muito mais tranquila, mas nunca com a calma do marido, porque a resposta dele a todo e qualquer questionamento é “vai dar tudo certo”.

Talvez eu escreva mais sobre isto, talvez não. O acompanhamento da gestação eu tenho compartilhado num novo Instagram, @mãeemsalvador, mas queria compartilhar de forma mais estruturada as decisões que tenho tomado, dar as dicas que tenho descoberto, mostrar os avanços que temos feito… Este é o meu espaço e acho que, como sempre, será retrato da minha vida…

Grande beijo!

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O (pouco) caso da American Airlines

Muitos meses que não escrevo aqui. Nestes últimos tempos, muita coisa aconteceu e diversas vezes passei por aqui pra tentar contar, mas os posts acabam no rascunho, porque é tanta coisa na cabeça que acabo não chegando ao final sem me distrair. Desta vez, embora seja uma situação muito chata, acho que é meu dever relatar todo o caso de forma clara aqui, que é o canal de que disponho, já que deixei tantas pessoas preocupadas sem dar o devido esclarecimento quanto ao seu desfecho. Dito isto, vamos ao caso.

Estou grávida. Quem me segue no Instagram sabe, mas nunca dei esta notícia por aqui. Depois de um início de gravidez meio conturbado, cheio de emoções e dúvidas e desesperos típicos de uma mãe de primeira viagem já conhecidamente dramática, mesmo antes da onda avassaladora do hormônios, chegamos à conclusão que seria uma boa ideia viajar pra fazer o enxoval do bebê no exterior. Concluímos isto por dois motivos: mesmo com o dólar caro, vale a pena comprar muita coisa fora ainda e, afinal, seria uma boa ideia espairecer, viajar e curtir uns momentos em família antes da chegada do bebê (que sabidamente muda muito a vida dos novos papais). Fomos então, eu, marido e minha mãe.

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Tudo ocorreu muito bem durante a viagem, a volta, entretanto, mostrou-se um desfecho extremamente estressante para uma viagem que havia sido tão especial. Nosso voo de volta estava marcado para sair às 23:54 do dia 26/07/2015. Tratava-se do voo AA229, da American Airlines, com serviço direto Miami-Salvador. Chegamos ao aeroporto pouco antes das 21h, fizemos o check-in, despachamos as malas e seguimos para o portão de embarque, que ocorreu por volta das 23h, como esperado.

A aeronave seguiu para a pista normalmente e, ao acelerar para a decolagem, abortou o voo, deixando em desespero os pouco mais de 150 passageiros. Fomos informados que a decolagem havia sido abortada por um superaquecimento em uma das turbinas. Permanecemos na pista, cercados por caminhões de bombeiros e seguranças por pouco mais de 1 hora, quando finalmente seguimos para o desembarque. Deste ponto, teve início uma verdadeira odisseia para conseguirmos retornar.

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Neste mesmo dia, fomos informados que o defeito seria resolvido e que embarcaríamos com um pouco de atraso. Depois informaram que estava chegando uma nova aeronave e que voaríamos nela. Por volta das 3:30, vimos a agente da empresa destacando cartões que soubemos depois serem vouchers de alimentação e hotel, mas estes vouchers só foram fornecidos aos passageiros por volta das 4:30 da manhã. Durante todo este período, os passageiros permaneceram sem informações e com fome, pois não havia nenhum estabelecimento aberto no aeroporto, que não opera durante a madrugada.

Fomos encaminhados para o hotel e orientados a voltar às 13h, pois o voo sairia, então, às 14:30, no dia 27/07/2015. Ao retornar no horário marcado, constava no portão que o voo sairia às 15h, mas alguns passageiros haviam trocado o cartão de embarque e, nele, constava o horário de 18h. Fomos em busca de informações mais precisas, mas não as encontramos em nenhum dos balcões da companhia. Fomos em grupo aos diversos setores em busca de algum gerente ou supervisor que pudesse nos dar uma posição mais confiável, mas os funcionários nos empurravam de setor em setor e, quando nos exaltamos um pouco mais, chegaram a chamar a polícia para nos deter.

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A polícia, até bastante compreensiva com a nossa situação, limitou-se a dizer que sua competência era restrita a questões criminais e, por nossa questão ser de caráter privado, somente nos restaria buscar algum tipo de reparação na Corte (Civil Court).

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Neste meio tempo, busquei diversas pessoas da companhia e informei que estava grávida e que necessitava de acomodações mais adequadas, mas eles pouco se importaram com isto.

Por volta das 16:30, conseguimos conversar com uma gerente de atendimento, que nos tranquilizou afirmando que o vôo das 18h, sim, estava confirmado e seria realizado numa aeronave que viria de New York. Chegou a imprimir um comprovante do que estava dizendo e, quando afirmamos não haver confirmação deste voo no Brasil, afirmou que esta confirmação só se dá quando o avião decola, tentou nos tranquilizar/enrolar.

Às 17:15, realmente chegou uma aeronave vindo de New York, os passageiros desembarcaram e a presença de um avião aparentemente operacional nos encheu de esperança de acabar nosso martírio. Ledo engano. Pouco depois, fomos informados que a aeronave estava em manutenção para resolver um problema no radar. O voo foi remarcado para as 19:30.

Uma grande comoção se formou no balcão e a companhia aceitou relocar alguns passageiros no outro voo 229, originalmente marcado para sair às 23:54 do dia 27/07/2015. Neste momento, fui ao balcão e falei que estava grávida, que deveria ter prioridade, mas a atendente, sem nem olhar pra mim, falou que ali não havia este tipo de prioridade. Retruquei que ali havia grávidas, idosos e deficientes, que eles deveriam ter algum tratamento prioritário, mas ela novamente falou que não havia qualquer tipo de prioridade, que eu deveria entrar na fila como todo mundo. Marido já estava na fila, mas, na sua vez, já haviam acabado as vagas disponíveis naquele voo. Tentei, então, relocação por telefone e consegui naquele mesmo voo que supostamente não tinha vagas. Pronto, resolvido, naquela noite conseguiríamos voar.

Às 18:30, afirmaram que os problemas da aeronave haviam sido resolvidos, mas que agora não havia tripulação disponível para voar. Por volta das 19:30, já havia notícias que havia a tripulação, mas que a aeronave agora estava com um problema nas poltronas da saída de emergência. Não se sabia mais o que era desculpa e o que era verdade e se era realmente seguro voar naquela aeronave. Por volta das 21h, supostamente resolvido o problema, começaram a embarcar os passageiros. Nós, que estávamos relocados no outro voo, frente à insegurança de ficar novamente no aeroporto e à possibilidade de embarcar imediatamente, conseguimos trocar de volta para o voo original e novamente embarcarmos.

Ao ver o avião parado na pista, já nos bateu o pânico de ver acontecer novamente tudo o que acontecera na noite anterior. Infelizmente, o receio se confirmou e, mais uma vez, fomos desembarcados, a aeronave supostamente teria um problema no sensor de calor da uma das turbinas. Ficamos mais de 1 hora dentro da aeronave, antes de desembarcar, o que foi suficiente para perdermos aquele outro voo que, naquele momento, já estava completamente lotado (somente uma pessoa ainda conseguiu embarcar naquele momento).

Os ânimos já estavam exaltados, tanto que quando descemos do avião, já havia reforço policial no portão. Desconfio que a demora em nos desembarcar se deu para que a polícia chegasse, já que as reações mais exaltadas já eram esperadas pela companhia. Pudera.

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Desta vez, pelo menos, providenciaram de imediato os vouchers de hotel e alimentação, de modo que saímos do aeroporto perto da meia noite. De pronto, também nos relocaram em um novo voo, AA9247 e trocaram nosso cartão de embarque, orientando a voltar às 9h, pois sairíamos às 11h. Desta vez, pelo menos, conseguimos ver a confirmação do voo no Brasil, o que nos dava um pouco mais de segurança de que ele realmente iria ocorrer.

11800163_10204438505465978_5166952286345678264_nSomente neste momento recebemos retorno do Consulado Brasileiro, com o qual entramos em contato em busca de assistência. Uma resposta fria, seca e que demonstrava atenção quase zero ao nosso pleito. Naquele momento, tivemos a inocência de acreditar que o Consulado Brasileiro poderia nos dar algum tipo de assistência real, nem que fosse o de providenciar melhores alocações para as pessoas idosas, debilitadas e, por que não, gestantes presentes naquele grupo.

Nosso embarque iniciou naquele dia às 10:30, no avião, a tensão continuava à medida em que víamos que o voo não estava, de fato, pronto. Aguardavam o fornecimento de comida, aguardavam o carregamento das malas… No fim das contas, finalmente decolamos às 12h, pouco mais de 36h do horário previsto originalmente para o embarque e, graças a Deus e às orações de todos, chegamos bem e em segurança a Salvador.

Outras pessoas estavam ou continuaram ainda mais tempo neste martírio. Pessoas que haviam perdido conexões por atrasos da American Airlines e acabaram naquele voo. Pessoas que conseguiram ser relocadas para outras cidades do Brasil para pegar outra conexão para finalmente chegar em Salvador. Desejo que estas pessoas também já estejam nas suas casas neste momento e que jamais tenham que passar por isto de novo.

Todos sabemos que imprevistos acontecem e que é normal haver atrasos em voos por diversos motivos, mas o estresse do grupo, neste caso, foi gerado mais pelo descaso e maus tratos da companhia do que com o atraso em si. Não que um atraso de 36h seja aceitável, mas as condições a que todos forma submetidos neste período foi extremamente desgastante e desumana.

O que nos resta agora é buscar a reparação de danos por via judicial, mas uma prestação pecuniária jamais vai compensar todos os danos e humilhações sofridos por todos, sobretudo pra os dois bebezinhos em formação que estavam presentes naquele voo. Fica o alerta então para quem planeja suas próximas viagens, pois soubemos de muitos problemas parecidos ocorridos em outros voos da companhia. Com certeza é uma economia que não vale a pena.

Vejam notícias que foram divulgadas sobre o caso:

A Tarde – Brasileiros ficam retidos em Miami após problemas em avião

A Tarde – Brasileiros chegam a Salvador após 48h em aeroporto de Miami

A Tarde – Atraso em voo de Miami para Salvador gera multa do Procon

Bahia Notícias – Voo com destino a Salvador tem problema e brasileiros não deixam Miami há dois dias

Bom dia Brasil – Brasileiros ficam dois dias em aeroporto após cancelamento de voo

BA TV – Passageiros de voo Miami-Salvador reclamam de falta de informação após cancelamento

Jornal da Manhã – Cansaço e alívio marcam a chegada de baianos que aguardaram mais de 48h por voo em Miami

Bahia Meio Dia – Últimos passageiros de voo Miami-Salvador que foi cancelado chegam a capital após 48 horas

Bahia Meio Dia – Passageiros começam a chegar em Salvador após 48 horas de espera por voo em Miami

G1 – Passageiros de voo que atrasou em Miami embarcam; entenda os direitos

 

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