Não bastasse o assalto…

Pensei 1.000 vezes antes de escrever este post, porque achei que não tinha muito a ver com a temática do blog, mas, olha, nem só de flores vive uma mulherzinha, tem também as adversidades e acho que é sempre bom desabafar… Sim, eu desabafo escrevendo!

Na madrugada de domingo pra segunda-feira (36/05), nossa casa foi assaltada. Agradeço aos céus por estarmos e termos permanecido dormindo, mas é um alívio que, em verdade, não alivia nada! Entraram em nosaa casa sabe Deus como, levaram do andar de baixo nossos dois Macbooks (1min de silêncio neste momento), meu Magic Mouse, meu tênis, a mochila de marido e dinheiro das nossas carteiras; depois subiram entraram no nosso quarto (!!!) e levaram o celular de marido, que estava bem de frente pra a porta (o meu, que estava do meu lado da cama, ficou)… Levaram também as chaves e nos trancaram por fora.
Percebemos tudo às 7h da manhã, ao ligar pra 190, disseram que tínhamos que fazer o BO na delegacia. Fomos. Chegando lá, o escrevente pergunta “mexeram em alguma coisa”? Pensamos: “claro, depois de o 190 mandar virmos à delegacia, nos teletransportamos pra cá e nossos corpos continuam lá trancados”… Depois de registrar tudo e informar que a impressora não funcionava e que teríamos que voltar pra pegar o BO, nos encaminharam pros investigadores:

Investigador 1: olha, no seu caso, o primeiro suspeito é a diarista, que tem a chave. Ela mora onde?
Nós: bairro da paz.
Investigador 1: aí complica, porque vai que a gente chama ela aqui pra depor, investigar, vai la na casa dela e traz ela aqui escoltada, ai depois uma parente dela lá vem prejudicar vocês, fazer alguma coisa ruim…
Nós: não achamos que foi ela, ela tem a chave, podia ter entrado pela porta, não precisava ser pela janela, além disso, ela sabia de coisas de mais valor que poderiam ter levado…
Investigador 1: mas não foi ela, ela deu o canal, não deu a chave pra não de comprometer. Tem câmera?
Nós: não
Investigador 1: po, aí fica difícil, sem câmera, sem alarme… Difícil, moça…
Nós: (neste momento já nos sentindo culpados por termos sido roubados) sim, e o que você sugere, que não investigue?
Investigador 1: nãããão, eu não sugiro nada, tô só dizendo a realidade, se a Sra quiser a gente investiga, meu trabalho é investigar!
Nós: olha, não sabemos qual o procedimento, isso é você quem diz, mas preciso que seja feita a perícia pra eu poder acionar o seguro.
Investigador 1: (depois de mais umas conversar pra convencer a gente a ir embora) então aguardem ali pra falar com o Investigador 2, ele tá tá chegando.

Chá de cadeira… Chega o Investigador 2, pede pra a gente aguardar “um minutinho”, mais chá de cadeira… Quando insistimos, fomos atendidos.

Investigador 2: sim, tem alguém suspeito no condomínio, algum usuário de drogas?
Nós: não que a gente saiba.
Investigador 2: algum homoafetivo (sic), que ande com pessoas ~estranhas~ por lá?
Nós: (WTF)
Investigador 2: vocês querem mesmo que a gente emita a guia pra perícia?
Nós: precisamos da perícia por causa do seguro…
Investigador 2: eu não tenho nada a ver com seu seguro, se a gente fizer a guia, daqui a 30 dias neguinho tá cobrando da gente, aí vai complicar pro meu lado… É isso mesmo?
Nós: (quase desistindo e com medo da cara do cara) a gente entende, desculpa, mas nós realmente precisamos…
Investigador 2: (gritando) tá, tá, Fulano, emite a guia pra esses aí, e não consta lá que eles fizeram essa ~merda~ de mexer em tudo!

Ele continuou gritando, nós saímos com o rapaz que emitiu a guia e nos tratou super bem. Depois de 3h saimos da delegacia. A perícia veio no mesmo dia, não sei se porque depois pedi “aquela forcinha” e disse que meu pai era perito também, colega deles…

No final de tudo, confirmamos o que já pensávamos, de que delegacias especiais são ESSENCIAIS, afinal, se saímos de lá após a denúncia de um furto em residência, que potencialmente pode acontecer com qualquer um, fico imaginando como tratam as mulheres que sofrem de violência doméstica, de estupro, ou os homossexuais quando sofrem algum tipo de violência ligada ao preconceito… Há mulheres entre as pessoas da delegacia, mas prefiro preservar qualquer detalhe mais revelador.

Saímos de lá com um nó na garganta e muita repulsa. O pior de tudo é escrever este post e ainda ser dominada por certo medo de retaliação…

Triste… Muito triste…

mari2

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5 comentários sobre “Não bastasse o assalto…

  1. Pingback: UPDATE: Projeto Menos Coisas! | marisanta • Um blog de mulherzinha!

  2. Mari,é terrível passar por uma situação destas e ainda ter que enfrentar uma outra situação que nos deixa extasiada,uma verdadeira vergonha,numa hora em que deveríamos ser tratados dignamente somos mal tratados, e parecemos os errados numa situação que nos deixou lesados e desamparados em nossa própria casa onde deveríamos ter total segurança… Já não sabemos mais onde podemos ir sem que acha um inconveniente como, assalto,manifestos(que ao meu ver hoje virou sinônimo de baterna),rolezinho,e outros mais que para variar não são feitos por pessoas do bem.
    A lei do desarmamento desarmou somente algumas pessoas,mas as principais,que deveriam estar sem armas,estas estão cada dia mais armadas e municiadas.
    Graças a Deus que vocês não acordaram,pois poderia ter acontecido alguma coisa,fique com Deus.

    Responder
  3. Acho que meu comentário não foi publicado rs Vamos lá de novo:

    É muito triste mesmo, Mari! Uma sensação de invasão, de “estupro”, horrível!
    A gente se sente de mãos atadas…
    Aconteceu com a empresa de meu marido aqui em Aju recentemente. Logo após a mudança da sede. Os vizinhos acham que 1h depois que ele saiu de lá. No dia seguinte, que foi um sábado, por acaso ele quis passar lá e viu que tinham arrombado e assaltado a empresa. Viveu essa mesma peregrinação de delegacia e muita espera. Eles até acham que deve ter sido um grupo do “corsa sedan prata” que já foi preso mas hoje tá solto. Sábado perdido. E na segunda partiu pra fazer seguro, instalar câmeras, alarmes, etc.
    15 dias antes tinha ocorrido um assalto no estúdio de música de um amigão nosso. Apenas 6 meses de aberto. Levaram uns 15 mil de equipamentos, que ele levou uma “vida” pra comprar. Abatido e sem grana pra repor o material, resolver fechar as portas.
    É nessas horas que a gente pensa em fazer justiça com as próprias mãos. Foi o caminho que esse nosso amigo escolheu, investigando por conta própria e com a ajuda de um amigo que é policial. Meu marido deixou pra lá e aprendeu a lição: ficar mais ligado, que Aju APARENTA ser tranquila, talvez já tenha sido, mas hoje não é mais. Os casos de assaltos e sequestros estão se tornando cada vez mais comum…
    Mas que bom que vocês não acordaram. Podia ter sido pior. Não se preocupe pois vão conquistar tudo de volta e ainda mais coisas :) Bola pra frente…

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